Egito julgará mais de 40 acusados de financiamento ilegal de ONGs

Grupo inclui 19 americanos e decisão deve acirrar tensões em meio à nova onda de violência que deixou 12 mortos

iG São Paulo |

A Justiça do Egito anunciou neste domingo que julgará mais de 40 acusados - sendo 19 americanos - de financiamento ilegal de organizações não governamentais que atuam no país. O anúncio do julgamento, que não tem data marcada, acontece em meio a uma nova onda de violência no país, que deixou 12 mortos desde quinta-feira.

O episódio promete acirrar as tensões entre Egito e Estados Unidos e Washington já ameaçou rever a ajuda humanitária ao país caso os direitos das ONGs não sejam respeitados. No passado, a junta militar que governa o Egito desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak , há quase um ano, acusou instituições não-governamentais de financiar protestos contra o governo.

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AP
Homem pede que manifestante pare de jogar pedras contra forças de segurança durante choques no Cairo (05/02)

O anúncio foi feito após buscas em 17 escritórios de ONGs egípcias e internacionais de defesa dos direitos humanos no dia 29 de dezembro. Entre as organizações estão as americanas National Democratic Institute (NDI), International Republican Institute (IRI) e Freedom House, além de uma alemã, a fundação Konrad Adenauer.

Também neste domingo, a Justiça ordenou a transferência de Mubarak para um hospital prisão no Cairo, conhecido como Tora. Até agora, Mubarak vinha sendo mantido em um hospital militar enquanto espera por seu julgamento .

Choques no Cairo

Choques entre manifestantes e policiais aconteceram no centro do Cairo neste domingo, o quarto dia consecutivo de confrontos, que deixaram pelo menos 12 mortos.

Manifestantes atiraram pedras contra policiais, que lançaram bombas de gás para dispersá-los.

Os protestos foram motivados por um tumulto em um estádio de futebol na quarta-feira, que deixou 74 mortos.

A violência de quarta-feira começou depois que torcedores invadiram o campo no fim do jogo em que o clube Masry conseguiu um rara vitória por 3 a 1 contra o al-Ahly.

Os dois times têm um histórico de rivalidade, mas a violência teria se acirrado porque os policiais demoraram para conter os torcedores. Torcedores do al-Ahly, conhecidos como “ultras”, disseram que a falta de ação das forças de segurança foi uma “retaliação” pelo papel da torcida nos protestos que forçaram a queda de Mubarak.

“Eles querem nos punir e nos executar por causa de nossa participação na revolta”, afirmou a torcida, em comunicado, pedindo “uma nova guerra em defesa da revolução”. Recentemente os torcedores fundaram o partido político Beladi, que quer dizer “meu país”, para difundir o crescente espírito de liberdade política no Egito.

Com AP, AFP, Reuters e EFE

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