Egito detém mulher de ex-presidente Mubarak por caso de corrupção

Suzanne Mubarak é acusada de usar posição do marido para enriquecimento ilícito; ela ficará detida por 15 dias

iG São Paulo |

O Ministério da Justiça egípcio ordenou nesta sexta-feira a detenção por 15 dias de Suzanne Mubarak, mulher do ex-presidente Hosni Mubarak , para investigar acusações de suposto enriquecimento ilícito.

O anúncio foi feito após o interrogatório de Suzanne na localidade litorânea de Sharm el-Sheikh, e um dia depois de o Ministério decidir prolongar por mais 15 dias a detenção preventiva do ex-presidente.

Após o anúncio da ordem de prisão, Suzanne foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Internacional de Sharm el-Sheikh por uma crise cardíaca, informaram fontes médicas. Segundo essas fontes, citadas pela rede de televisão estatal, Suzanne foi hospitalizada após suspeitar que sofria um ataque cardíaco.

A decisão de ordenar a detenção da mulher de Mubarak partiu do chefe do Departamento de Enriquecimento Ilícito do Ministério da Justiça, Assem al-Gohari, segundo a agência oficial de notícias Mena.

Segundo Gohari, a decisão se deve às acusações contra Suzanne de que usou da posição de seu marido para enriquecer ilegalmente. Na véspera, o chefe da investigação contra Mubarak, Khaled Selim, foi a Sharm el-Sheikh, onde permanece hospitalizado o ex-chefe de Estado, para interrogá-lo e também sua esposa sobre sua suposta acumulação ilegal de riqueza.

Depois do interrogatório do ex-presidente, decidiu-se pela postergação de sua prisão preventiva, enquanto Selim adiou o encontro com Suzanne para esta sexta-feira.

Mubarak, de 83 anos, e seus dois filhos, Alaa e Gamal, presos na prisão de Tora no Cairo, são acusados de abuso de poder e enriquecimento ilícito.

Sob eles pesa também a acusação de envolvimento no ataque contra os manifestantes durante a revolta popular iniciada em 25 de janeiro que forçou a renúncia do então chefe de Estado , em 11 de fevereiro. Mubarak está detido preventivamente desde 13 de abril no hospital de Sharm el-Sheikh.

Protesto pelos palestinos

As autoridades egípcias fecharam o acesso ao Sinai, fronteiriço com a Faixa de Gaza, e reforçaram a segurança na península para impedir uma manifestação do Cairo ao território palestino, disse a AFP.

A marcha, que partiu simbolicamente da Praça Tahrir do Cairo, centro das manifestações pela democracia no Egito, está prevista para continuar no domingo e tem por objetivo defender o direito ao retorno dos refugiados palestinos e pedir a libertação dos detidos.

O Exército foi mobilizado com blindados na ponte da Paz, um dos principais acessos ao Sinai. Vários retentores foram instalados na região para controlar a identidade dos que entram no Sinai, e apenas os egípcios que residem na península são autorizados a passar.

AP
Homem segura caricatura do ex-presidente Hosni Mubarak durante protesto no Cairo em defesa dos refugiados palestinos
O Ministério do Interior pediu na quinta-feira aos organizadores da marcha que a cancelassem, evocando "o contexto atual difícil". A data escolhida coincide com o aniversário da criação do Estado de Israel em 1948, acontecimento que provocou o êxodo de cerca de 760 mil palestinos e é denominado "Nakba" (catástrofe) no mundo árabe.

*Com EFE e AFP

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