Egito derruba veto eleitoral a membros do partido de Mubarak

Alta corte egípcia permitirá aos membros do extinto partido do ex-presidente, derrubado em fevereiro, que disputem a eleição

iG São Paulo |

Uma alta corte egípcia derrubou nesta segunda-feira uma decisão que impedia os membros do partido do ex-presidente Hosni Mubarak de disputarem uma eleição parlamentar que deverá ter início neste mês. A medida foi comemorada pelos simpatizantes do partido agora extinto.

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Trabalhador pendura bandeira antes das eleições parlamentares enquanto um candidato conversa no seu celular

Uma corte mais baixa da cidade de Mansoura, no norte do país, decidira na sexta-feira banir a candidatura dos membros do antigo Partido Nacional Democrático (PND), deflagrando uma série de ações pelo país destinadas a retirar esses candidatos da disputa.

O juiz Magdy el-Agaty, da Corte Administrativa Superior, entretanto, derrubou o veredicto. Simpatizantes do antigo partido comemoraram a decisão no tribunal, cantando: "Deus é Grande". Alguns mostravam fotos de seus candidatos.

Muitos antigos membros do PND vão candidatar-se como independentes ou filiados a outros partidos na primeira eleição livre do país em décadas, depois que uma insurreição derrubou Mubarak em fevereiro . A primeira fase da eleição começa no dia 28 de novembro.

Ex-membros do PND formaram ao menos seis novos partidos e muitos estão em legendas mais antigas, enfurecendo os ativistas que querem garantir que as forças "contra-revolucionárias" fiquem de fora da assembléia que terá como missão indicar um comitê para redigir a nova Constituição do Egito.

A campanha oficial para a primeira eleição parlamentar do Egito desde que Mubarak foi derrubado em fevereiro começou lentamente, coincidindo com uma pausa de uma semana que marca o principal feriado muçulmano.

Mas as questões da campanha são conhecidas há meses, sendo a principal delas sobre como diversos novos partidos liberais irão desafiar o rolo compressor bem organizado da Irmandade Muçulmana, bem como restos da máquina política do antigo governo.

A pergunta que faz sombra à eleição é se um Parlamento robusto o suficiente vai emergir deste processo para cumprir uma meta distante da revolução: desafiar a permanência dos militares no poder, que já dura 60 anos.

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No final de outubro, milhares de manifestantes se reuniram nesta sexta-feira na praça Tahrir, no Cairo, para pressionar os militares no governo a acelerar a transferência de poder para os civis.

Com Reuters e AP

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