Egito demite quase 670 policiais por repressão a protestos

Ministro do Interior também anuncia que eleições devem ser adiadas, atendendo a pedidos de novos partidos

iG São Paulo |

AP
Manifestantes carregam bandeira gigante do Egito durante protesto no Cairo (12/07)

O governo do Egito demitiu nesta quarta-feira 669 policiais envolvidos na violenta repressão aos protestos contra o ex-presidente Hosni Mubarak no início do ano. Segundo a TV estatal, 37 serão acusados judicialmente de terem matado manifestantes.

De acordo com o ministro do Interior, Mansour Essawy, 505 generais e 154 policiais deixarão seus cargos em 1º de agosto. Entres os generais estão 10 funcionários de alto escalão do Ministério do Interior.

"Este é a maior ação administrativa para trazer sangue novo (à força policial)", afirmou Essawy. A decisão busca conter os protestos que voltaram a acontecer na praça Tahrir, no centro do Cairo, para exigir punição a autoridades da era Mubarak.

O ministro também anunciou que as eleições parlamentares marcadas para setembro devem ser adiadas para outubro ou novembro. Vários partidos políticos que surgiram após a revolta haviam pedido uma nova data para a votação para que pudessem se organizar melhor e competir contra grupos mais antigos, como a Irmandade Muçulmana.

A reformulação na polícia egípcia havia sido antecipada na semana passada pelo jornal estatal "Al-Ahram". O anúncio não foi suficiente para conter os protestos, e na sexta-feira milhares de manifestantes saíram às ruas do Cairo e das cidades de Alexandria e Suez.

Mais de 800 pessoas foram mortas e 6 mil ficaram feridas durante os primeiros dias do levante contra Mubarak, quando a polícia usou cassetetes, gás lacrimogêneo, canhões d'água e munição contra manifestantes.

O dia 28 de janeiro ficou conhecido como Sexta-Feira da Ira e foi um dos episódios mais sangrentos do levante. A onda de violência levou à intervenção do Exército e a polícia recebeu ordens para sair das ruas.

De acordo com a autoridade ouvida pelo jornal, a ideia da reformulação é mudar o pensamento da polícia, para que os policiais tratem os civis com respeito.

Com AP

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