Egito confirma que islâmicos saíram na frente em eleição parlamentar

Irmandade Muçulmana garantiu 36,6% e radiais do Al-Nour ficaram com 24,4% dos votos, segundo a Alta Comissão Eleitoral

iG São Paulo |

A apuração da primeira fase das eleições parlamentares do Egito não teve nenhuma surpresa em relação às pesquisas e resultados não-oficiais ou preliminares . Os partidos islâmicos ficaram com mais de 60% dos votos, segundo resultados parciais anunciados neste domingo.

Saiba mais: Islâmicos do Egito pedem a rivais que aceitem resultados de eleição

AP
Menino protesta na praça Tahrir, no Cairo, contra o conselho militar e pede a sua saída do poder

O Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, garantiu 36,6 % das 9.734.413 cédulas válidas nas listas partidárias. O salafista Al-Nour, islâmico radical, ficou com 24,4% dos votos, segundo a Alta Comissão Eleitoral.

Os resultados deste domingo dão apenas uma indicação de como o novo parlamento do Egito será formado. Ainda faltam mais duas etapas da votação em 18 das 27 províncias egípcias que devem ocorrer até janeiro.

As eleições, que começaram em 28 de novembro , são as primeiras desde que protestos forçaram a renúncia do líder Hosni Mubarak em 11 de fevereiro, depois de três décadas no poder. O comparecimento na votação foi de 62% , o mais alto da história moderna do país.

Os resultados mais recentes indicam que os partidos islâmicos deverão controlar a maioria do Parlamento.

O novo Parlamento, em teoria, tem a tarefa de selecionar um painel de 100 membros para elaborar a Constituição. O Conselho Supremo das Forças Armadas, que está no controle do país desde a queda de Mubarak, sugeriu que escolherá 80 desses membros.

As eleições são formadas por uma mistura confusa de indivíduos e listas partidárias e os resultados do domingo refletem somente em menos de um terço das listas dos partidos.

O partido liberal, o Bloco Egípcio, vem logo atrás dos islâmicos, com 13,4% dos votos. Outro partido liberal, o Wafd, recebeu 7,1%, enquanto os moderados islâmicos do Wasat, 4,3%.

Não ficou claro se os partidos islâmicos formarão uma coalizão dentro do Parlamento, ou se a Irmandade irá buscar um aliado com as forças liberais contra o Al-Nour, mais radical.

O Parlamento completo será anunciado antes de janeiro. O próximo passo nesse complexo processo, um segundo turno entre os candidatos individuais, está programado para começar na próxima semana.

Na tarde de sábado, a Irmandade Muçulmana pediu aos seus rivais que aceitassem a vontade do povo. "Apelamos a todos, e todos aqueles que se associam com a democracia, a respeitar a vontade do povo e aceitar a sua escolha", disse o grupo em um comunicado. "Aqueles que não foram bem sucedidos... devem trabalhar duro para servir as pessoas para ganhar o seu apoio na próxima vez."

Israel "perturbado"

O ministro da Defesa de Israel afirmou no sábado que os primeiros resultados dessa primeira fase das eleições egípcias são "muito, muito perturbadores".

Ehud Barak disse esperar que o primeiro Parlamento egípcio pós-Mubarak respeite os tratados internacionais, incluindo o de paz com Israel estabelecido em 1979 em Camp David.

O principal medo de Israel é que a Irmandade Muçulmana, que tem fortes laços com o Hamas, descarte o acordo de paz.

O porta-voz da chancelaria israelense, Lior Ben Dor, disse que Israel não está surpresa que a Irmandade Muçulmana tenha saído na frente nas eleições e está convencido que o tratado de paz permanecerá intacto. "Nós respeitamos os resultados das eleições no Egito. Essa foi a escolha do povo egípcio."

Em comunicado, a autoridade máxima do Hamas, Moussa Abu Marzouk disse que "o povo egípcio depositaram sua confiança nos islâmicos. Nós acreditamos que o apoio egípcio no futuro será maior para a nossa causa".

Com AP e Reuters

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