Egito começa segunda etapa de votação legislativa

Mais de 18 milhões estão convocados em nove províncias para eleger Assembleia do Povo; islâmicos esperam aumentar vantagem

iG São Paulo |

Grupos islamistas rivais buscam nesta quarta-feira ampliar sua força política no Egito, no primeiro turno da segunda rodada da eleição para a Assembleia do Povo (equivalente à Câmara), em que liberais também buscam influenciar a transição para um regime civil.

AP
Egípcios fazem fila para votar no Cairo, Egito, no início da segunda fase da eleição para a Assembleia do Povo (Câmara Baixa do Parlamento)
Mais de 18 milhões de egípcios estão convocados desde às 8 horas locais (4 horas em Brasília) para a votação, cujo primeiro turno será realizado entre esta quarta e quinta em nove províncias do país, incluindo Suez (nordeste do Egito), Aswan (sul) e Gizé (na parte ocidental do Cairo), que representa boa parte do eleitorado de classe média. O segundo turno está marcado para os dias 21 e 22.

A primeira eleição livre do Egito em seis décadas para o Parlamento (também formado pelo Conselho Shura - equivalente ao Senado) vai até março. Mas a junta militar só cederá o poder aos civis depois da eleição presidencial de junho.

Na segunda etapa da votação, serão preenchidas 180 cadeiras na Assembleia do Povo, das quais dois terços sairão de listas fechadas de partidos políticos e outro terço resultará de listas abertas com candidatos individuais.

A primeira etapa da votação, o Partido Liberdade e Justiça (PLJ) - braço político da pragmática Irmandade Muçulmana - o grupo radical islamista (salafista) Al-Nour e uma terceira facção, moderada, receberam conjuntamente dois terços dos votos na disputa entre listas partidárias.

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Mas a Irmandade já sinalizou que deseja formar uma ampla coalizão, em vez de uma limitada aliança religiosa, num Parlamento que terá como principal tarefa escolher a comissão encarregada da redação de uma nova Constituição que enterre de vez as três décadas do regime autoritário do presidente Hosni Mubarak, deposto em fevereiro .

A votação foi pacífica na primeira etapa, apesar do registro de diversas irregularidades , especialmente na campanha de boca de urna. Nos últimos dias, os observadores enfatizaram a necessidade de melhorar a organização das eleições, que até agora recebeu duras críticas e levou à suspensão dos resultados em pelo menos quatro distritos do país, um deles de quase 2 milhões de pessoas no Cairo.

A Comissão Suprema Eleitoral assegurou que fará todos os esforços para evitar que os partidos façam propaganda durante os dias de votação no exterior dos colégios eleitorais e para que a Lei Eleitoral seja respeitada. Também afirmaram que as irregularidades não foram suficientes para tirar a legitimidade da votação e que os problemas serão resolvidos nas próximas etapas da votação.

*Com Reuters, EFE e AFP

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