Irmandade Muçulmana e salafista Al-Nour se dizem vencedores, mas números oficiais serão divulgados somente entre amanhã e sábado

O resultado parcial da histórica eleição parlamentar do Egito, a primeira desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak em fevereiro, foi adiado mais uma vez nesta quinta-feira, com a expectativa de que sejam divulgados entre sexta-feira e sábado. Dois partidos islâmicos, Irmandade Muçulmana e o salafista Al Nour, alegaram liderar a contagem, mas as autoridades mantêm discrição sobre quaisquer resultados.

A votação, realizada na segunda e na terça-feira, vai definir cerca de 30% dos 498 assentos da câmara baixa do Parlamento. Outras duas etapas da eleição, que acabam em janeiro, definirão o restante. Depois, um novo processo que termina em março decide os integrantes da câmara alta.

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Homem limpa pátio de mesquita no Cairo, capital do Egito
AP
Homem limpa pátio de mesquita no Cairo, capital do Egito


Em declarações à agência estatal de notícias "Mena", o presidente da Comissão Eleitoral egípcia, Abdelmoaiz Ibrahim, disse que o atraso na apuração se deve "ao grande aumento do número de eleitores".

Nos dias 28 e 29 de novembro foram realizadas em nove províncias as duas primeiras jornadas de votação, para as quais tinham sido chamados às urnas 17 milhões de egípcios.

Apesar da falta de resultados oficiais, o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, afirmou que lidera a apuração, com mais de 40% dos votos em várias províncias.

O pleito para a escolha dos integrantes da Assembleia do Povo (câmara baixa) é realizado em três fases - separadas por regiões do país e cada uma delas em dois turnos -, e será encerrado em janeiro, quando acontecerão as eleições para a Shura (câmara alta).

As eleições parlamentares são as primeiras desde a renúncia de Hosni Mubarak, ocorrida em fevereiro, quando o poder foi assumido por uma junta militar.

Juízes eleitorais ouvidos pela agência AP sob condição de anonimato disseram que a Irmandade Muçulmana estava liderando a apuração em cidades como Cairo, Alexandria, Luxor e Assiut. Porém, o Al Nouer e uma coligação liberal conhecida como Bloco Egípcio estavam ganhando força em várias regiões.

O comparecimento de eleitores foi alto nos dois dias de votação no Egito, nos quais foram registradas irregularidades. Diferentes partidos denunciaram casos de compra de votos em todo o país, além de cédulas falsas e propaganda eleitoral irregular.

A junta militar que governa o país reconheceu as irregularidades, bem como atrasos, problemas na entrega de cédulas e falta de tinta.

Em entrevista concedida ao jornal americano The New York Times, Essam el-Erian, um líder do Partido da Liberdade e Justiça (PLJ), pertencente à Irmandade Muçulmana, argumentou que a inesperada participação massiva dos egípcios nas eleições indicava uma reivindicação popular por maior controle civil .

Embora um general entre os governantes do país tenha dito no último fim de semana que a junta militar continuaria a escolher o premiê mesmo depois da formação de um Parlamento, Erian disse que a numerosa participação nas eleições de segunda e terça-feira mostra que os egípcios querem que uma maioria parlamentar, e não os generais, tenham esse poder. "Milhões de egípcios votaram, porque querem um forte e democrático Parlamento", disse.

Seu pronunciamento é um sinal de que a Irmandade Muçulmana tem a intenção de usar seus assentos para pressionar os militares, apesar de ter recusado se unir aos protestos que tomaram as ruas do país dias antes das eleições.

A junta militar também impediu que o novo Parlamento tenha poderes para dissolver o atual gabinete - liderado por Kamal Ganzouri desde o final da semana passada.

Com AP, EFE e The New York Times

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