Egito acelera preparativos para eleição presidencial

Candidaturas serão registradas em 10 de março; medida é adotada em meio à nova onda de violência que deixou 13 mortos em 5 dias

iG São Paulo |

O líder da junta militar do Egito, Hussein Tantawi, disse a funcionários eleitorais nesta segunda-feira para acelerar os preparativos para as eleições presidenciais depois de uma nova onda de protestos de ruas reivindicando que os militares atuem rapidamente para entregar o poder a um governo eleito.

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Egípcia corre depois de ter ficado entre a polícia antidistúrbio e manifestantes durante confronto perto do Ministério do Interior, no Cairo
Os protestos contra os líderes da junta militar recomeçaram depois de um tumulto fatal em um estádio de futebol em Port Said na quarta-feira, quando 74 foram mortos . Os manifestantes acusaram a polícia de não fazer nada para impedir a violência em retaliação ao papel dos torcedores do al-Ahly, conhecidos como “ultras” , na queda de Mubarak. O novo ciclo de violência iniciado desde então deixou 13 mortos nos últimos cinco dias.

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Após uma onda de manifestações em novembro, a junta havia prometido realizar eleições no fim de junho . Mas Tantawi pediu que os funcionários "rapidamente terminem os procedimentos legais para as nomeações presidenciais", de acordo com a agência de notícias Mena.

De acordo com o chefe da comissão eleitoral egípcia, Abdel-Moez Ibrahim, as candidaturas para a presidência serão aceitas em 10 de março, um mês antes da data original. Apesar de ele não ter dado uma data para a votação, o prazo para as candidaturas é uma indicação de que a eleição presidencial pode ocorrer um mês antes do previsto.

As relações entre o movimento pró-democracia por trás do levante do Egito, que forçou a renúncia de Hosni Mubarak há quase um ano , e a junta militar que o sucedeu têm ficado cada vez mais hostis, pontuadas por erupções de tumultos, confrontos e mortes. Os manifestantes pedem há tempos por uma transferência imediata de poder e acusam os generais de prejudicar o que se suponha seria uma transição para a democracia.

O Egito realizou eleições para a Assembleia Popular (equivalente à Câmara), que foram as mais livres e justas em décadas e que propiciaram a vitória dos islâmicos . Mas o poder no país tradicionalmente tem estado concentrado nas mãos do Executivo.

Além do tumulto doméstico, o Egito também está envolvido em uma nova crise com os EUA, que ameaçaram cortar US$ 1,5 bilhões em ajuda anual por causa da repressão contra grupos sem fins lucraticos egípcios e estrangeiros que promovem a democracia e dos direitos humanos. A junta militar acusa os grupos de usar financiamento externo para fomentar a instabilidade do país.

A crise aumentou no domingo, quando as autoridades anunciaram que julgarão 43 funcionários - sendo 19 americanos - por financiamento ilegal de ONGs que atuam no país. Nesta segunda, eles divulgaram os nomes dos 19 americanos, incluindo o do filho do secretário de Transportes dos EUA, Ray LaHood. Dos 19, seis não estão no país.

*AP

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