Egípcios voltam às urnas em meio à tensão no Cairo

Nova etapa de votação começa a ser realizada após cinco dias consecutivos de confrontos na capital do país

iG São Paulo |

Os egípcios voltaram às urnas nesta quarta-feira para as eleições parlamentares depois de cinco dias de violência no Cairo, palco de confrontos entre manifestante antigoverno e forças de segurança. Nenhum choque foi registrado até agora, mas os protestos continuam no centro da cidade.

AP
Mulher vota em colégio eleitoral de Giza, no Egito

Os colégios eleitorais foram abertos por volta das 8h (4h no horário de Brasília) em nove províncias do país. Cerca de 18 milhões de eleitores escolheram os integrantes da Assembleia do Povo, a Câmara baixa do Parlamento, no segundo turno da etapa intermediária da votação.

No total, 118 candidatos de listas abertas, que não obtiveram maioria suficiente (50% dos votos mais um) no primeiro turno, concorrem por 59 cadeiras.

A votação acontece em 30 circunscrições das províncias de Gizé, que abrange parte do Cairo, Bani Suef, Menoufia, Sharqiya, Ismailia, Suez, Al Buhaira, Sohag e Aswan. Além disso, haverá eleições por listas fechadas em três distritos onde na semana passada faltaram alguns partidos nas cédulas eleitorais.

Mais de 11 mil juízes se encarregam de supervisionar a votação, enquanto 25 mil organizações da sociedade civil egípcia e 800 estrangeiras conseguiram autorização para acompanhar a votação. Além disso, 1.580 jornalistas egípcios e estrangeiros estão credenciados para fazer o mesmo.

Segundo os resultados oficiosos das listas fechadas, no primeiro turno desta segunda etapa, o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, obteve 37,2% dos votos, o que lhe garante 33 das 86 cadeiras às quais concorriam. Na sequência aparecem os salafistas do Al-Nour, com 31%, o que confirma a liderança dos islamitas no primeiro turno e torna ainda mais difícil a virada das forças liberais.

Com esta votação, será encerrada a segunda das três etapas em que está dividida a eleição da Assembleia do Povo, em um processo que terminará em janeiro. Depois começam as etapas referentes à Câmara alta, encerradas em março.

Protestos

Não foram registrados incidentes até agora, apesar da tensão que tomou o Cairo nos últimos cinco dias. Confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram ao menos 14 mortos desde sexta-feira.
Na terça-feira, centenas de mulheres saíram às ruas para protestar contra a violência usada pelo regime para reprimir manifestações.

A marcha das mulheres começou na praça Tahrir, centro do Cairo, e continuou pelas ruas próximas. Homens também participaram do ato e muitos dos presentes seguravam cartazes com imagens de manifestantes agredidos – a maioria de uma mulher com a blusa aberta, de sutiã, sendo espancada por soldados.

“Pagamos as Forças Armadas, colocamos uniformes neles para que nos protejam, não nos ataquem”, disse a ativista Nawarah Negm. Policiais e militares usaram bastões, tiros e bombas de gás para dispersar os protestos.

Com AP e Reuters

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