Egípcios fazem vigília para exigir renúncia de junta militar

Manifestantes permanecem acampados na Praça Tahrir, um dia após protesto marcar um ano do levante que derrubou Mubarak

iG São Paulo |

Centenas de manifestantes permanecem acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo, nesta quinta-feira para exigir a renúncia da junta militar que governa o país, um dia após um enorme protesto marcar um ano do levante que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak .

Dezenas de tendas e barracas foram armadas na praça e em ruas próximas, provocando um enorme engarrafamento no local. Ambulantes vendiam bebidas quentes e alguns ativistas se espremiam ao redor de fogueiras para se manter aquecidos em meio ao inverno egípcio.

Leia também: Egito comemora um ano da revolta contra Mubarak

AP
Manifestantes protestam contra junta militar do Egito na Praça Tahrir, no Cairo

Em comunicado, a União de Jovens da Revolução, que representa oito partidos e nove movimentos políticos, anunciou que manterá o acampamento na praça para que “a revolução continue e haja uma verdadeira mudança no país”.

"Haverá uma vigília até que (os militares) se retirem", disse Alaa Abdel Fattah, um blogueiro e ativista. "O conselho militar comete os mesmos abusos que Mubarak cometia. Não sinto nenhuma mudança. Vamos protestar até que deixem o poder", disse o estudante Samer Qabil, 23 anos.

Na quarta-feira, dezenas de milhares de egípcios participaram de uma comemoração na Praça Tahrir que marcou o aniversário da revolta popular contra Mubarak. A multidão incluía tanto jovens exigindo a saída dos militares do poder quanto islamitas comemorando a transformação política que lhes rendeu a maior parte das cadeiras no Parlamento .

O conselho do Exército assumiu quando Mubarak foi deposto e é liderado por seu antigo ministro da Defesa, o marechal de campo Mohamed Hussein Tantawi, que promete entregar o poder aos civis após a eleição presidencial de junho.

Em Alexandria, porto mediterrâneo que é a segunda maior cidade do Egito, cerca de cem manifestantes também ergueram barracas na quarta-feira perto do quartel-general da polícia, exigindo que o Exército entregue o poder imediatamente.

Mubarak, de 83 anos, está sendo julgado e pode ser condenado à pena de morte. Um novo Parlamento, dominado por seus adversários islâmicos, foi instaurado nesta semana.

Mas muitos ativistas jovens que deram início à revolta do ano passado estão cansados do governo militar e preocupados que os grupos islamistas possam sufocar suas esperanças de um grande expurgo da velha ordem. Eles temem que os grupos islamistas façam concessões ao Exército para preservar seus ganhos políticos.

A Irmandade Muçulmana, que agora tem o maior bloco no Parlamento após a primeira eleição livre em décadas, e outros islamistas negam que estejam mantendo negociações com os militares.

Com Reuters

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