É provável que até 850 morreram em repressão na Síria, diz ONU

Estimativa de número de mortos tem como base informações de ativistas dos direitos humanos; também há milhares de presos

Reuters |

O número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante uma repressão militar de dois meses, informou o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas nesta sexta-feira.

"Pedimos novamente que o governo exercite o comedimento, para parar com o uso da força e as prisões em massa para silenciar os oponentes", disse Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, em entrevista coletiva.

AP
Imagem de vídeo amador de 24/04/2011 postado no YouTube mostra homens com mulher ferida em Deraa, Síria
A estimativa de entre 700 e 850 mortes, feita com base em informações de ativistas de direitos humanos, "tem grande probabilidade de ser genuína", afirmou o porta-voz. "Não podemos verificar esses números, mas há listas detalhadas e acreditamos que são genuínos", disse Colville.

Meios de pressão

Na quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os EUA e seus aliados buscam formas de aumentar a pressão sobre o governo sírio para que realize reformas. Hillary, em visita à Groenlândia para um encontro com chanceleres, disse que o presidente sírio, Bashar al-Assad, está cada vez mais isolado.

"Vamos cobrar o governo sírio", disse Hillary após reunião com o ministro das Relações Exteriores dinamarquês. "Os Estados Unidos, ao lado da Dinamarca e de outros colegas, procurarão maneiras de aumentar a pressão", afirmou.

"Apesar da enorme condenação internacional, o governo sírio continua a reprimir de forma brutal seus próprios cidadãos", disse, citando casos como prisões arbitrárias, torturas e detenções de equipes médicas que cuidavam de feridos.

Para a chefe da diplomacia dos EUA, a repressão às manifestações na Síria é "um sinal de grande fraqueza" e não de poder.

Na quarta-feira, tanques sírios bombardearam áreas residenciais em duas cidades deixando ao menos 18 mortos no país, segundo ativistas de direitos humanos.

O regime sírio, impassível diante dos protestos internacionais, intensificou na quinta-feira a repressão à revolta tomando o controle de outros povoados e efetuando centenas de detenções. De acordo com uma organização de direitos humanos, dezenas foram presos em Banias (noroeste do país), base do movimento opositor na Síria.

Após o anúncio de várias reformas, incluindo o fim do estado de emergência em vigor no país há mais de 50 anos e a preparação de uma nova lei eleitoral, o governo continua a repressão ignorando os apelos da comunidade internacional que hesitam em pedir a saída de Assad.

Um primo de Assad, Rami Ajiluf, que está na lista dos 13 sírios que a União Europeia impôs sanções , declarou em uma entrevista publicada na terça-feira: "Lutaremos até o fim. Não vamos sair."

O Exército reforçou nos últimos dias a repressão em várias cidades, como Homs, onde os soldados entraram em 6 de maio, e Banias, onde as autoridades afirmaram ter prendido "grupos de terroristas armados". Os opositores afirmam que os moradores dessas cidades estão "aterrorizados" e garantem que há muitos "corpos nas ruas" que não são retirados por medo de atiradores de elite.

A repressão atingiu também os subúrbios de Damasco. Em um bairro, Muadamiya, sitiado pelos tanques, o Exército prendeu "centenas, famílias inteiras", afirmou o chefe da Organização Nacional de Direitos Humanos, Amar Qurabi.

"Foi imposto o toque de recolher. O Exército transformou as escolas em centros de detenção e tomou o controle das mesquitas", relatou Qurabi, acrescentando que em Qatan, outro subúrbio de Damasco, também está sitiado.

Os poucos jornalistas estrangeiros na Síria não podem se movimentar sem a autorização das autoridades. Nesse contexto a chefe de diplomacia européia, Catherine Ashton, não descartou que as sanções contra os 13 membros do regime sírio seja estendidas ao presidente Assad.

*Com Reuters, AFP e EFE

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