Dividido, Conselho de Segurança da ONU fará reunião sobre Síria

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul relutam em aceitar medidas do Conselho de Segurança contra a Síria

Reuters |

O Conselho de Segurança da ONU acatou na sexta-feira o pedido da França para a realização de uma reunião sobre a situação na Síria com a presença da alta comissária de Direitos Humanos da entidade, disseram diplomatas ocidentais.

Para que a reunião fosse convocada, foi necessário superar a relutância de Rússia, China e Brasil. O embaixador russo junto à ONU, Vitaly Churkin, que preside o Conselho neste mês, disse que alta comissária Navi Pillay provavelmente fará sua apresentação na segunda-feira, a portas fechadas.

Ele negou insinuações feitas por diplomatas ocidentais de que a Rússia teria sido contra a convocação, mas admitiu que Moscou e outros governos tinham restrições.

"Expressamos uma posição, uma preocupação, que também alguns outros membros do Conselho de Segurança tinham (...) de que existe uma divisão de trabalho", disse ele a jornalistas, acrescentando que, na opinião da Rússia, o Conselho de Segurança está "se intrometendo em assuntos do Conselho de Direitos Humanos".

Rússia, China, Brasil, Índia e África do Sul, que relutam em aceitar medidas do Conselho de Segurança contra a Síria, vêm argumentando que as queixas sobre abusos aos direitos no país árabe devem ser tratadas pelo Conselho de Direitos Humanos, que funciona em Genebra, e não pelo Conselho de Segurança, em Nova York.

Já França, Grã-Bretanha, Alemanha e EUA pressionam para que o Conselho de Segurança volte a analisar a questão síria. No mês passado, Rússia e China vetaram uma proposta de resolução europeia que condenaria a repressão síria aos protestos pró-democracia, ameaçando impor sanções ao governo de Bashar al Assad.

AP
Manifestante pró-regime segura bandeira síria em frente de retrato de presidente Bashar al-Assad durante manifestação em Damasco (02/12/2011)

Pillay reiterou na sexta-feira a jornalistas em Nova York que mais de 4.000 pessoas já foram mortas desde março na repressão síria.

Um diplomata ocidental disse à Reuters que as discussões de sexta-feira sobre a convocação de Pillay foram "muito acaloradas" em alguns momentos. O embaixador francês, Gerard Araud, ameaçou convocar uma "votação regimental" (sem poder de veto dos membros permanentes) caso não houvesse consenso sobre a convocação da alta comissária. A medida acabou descartada porque afinal houve consenso sobre a convocação de Pillay.

Churkin disse que alguns membros do Conselho notaram que, como a pauta da convocação de Pillay fala na "situação do Oriente Médio", seria conveniente que ela falasse também sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos.

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