Diretor do Google detido durante protestos no Egito é libertado

Segundo a Anistia, Wael Ghoneim, chefe de mercado da empresa para Oriente Médio e África, foi preso por homens à paisana

iG São Paulo |

Um diretor egípcio do Google, detido durante as manifestações antigovernamentais no Egito, foi libertado nesta segunda-feira. Wael Ghoneim, chefe de mercado do Google para Oriente Médio e África, segundo seu perfil na rede social para profissionais LinkedIn, não havia dado notícias suas desde 28 de janeiro, depois de uma gigantesca manifestação no Cairo, segundo seu irmão ao jornal Wall Street Journal.

No domingo, a organização de defesa de direitos humanos Anistia Internacional expressou preocupação com a possibilidade de que Ghoneim fosse torturado durante sua prisão. Segundo a Anistia, Wael Ghoneim foi detido por homens à paisana, provavelmente membros dos serviços de segurança egípcios, durante as manifestações. Durante os protestos que pedem a renúncia do presidente Hosni Mubarak, cerca de 75 jornalistas foram atacados, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras .

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, tentou ganhar tempo frente aos protestos de rua contra seu regime, prometendo nesta segunda-feira aumentar o salário dos funcionários públicos em 15%.

AP
Voluntários cortam os cabelos e aparam as barbas de manifestantes antigoverno que mantêm seus protesots na praça tahrir, Cairo
O ditador de 82 anos reuniu-se pela primeira vez com seu novo gabinete , enquanto o regime luta para fazer a economia mover-se novamente, apesar dos protestos de ativistas pró-democracia que ocupam a principal praça do Cairo , no centro da cidade, dizendo que só deixarão o local após a renúncia do presidente.

De acordo com a agência de notícias Mena, o gabinete aprovou um plano para aumentar o salário do setor público em 15% a partir de abril e investir mais de US$ 940 milhões em aumentos nas aposentadorias.

O acréscimo poderá reafirmar o apoio dos partidários de Mubarak ao regime, como membros da grande burocracia estatal e das forças de segurança, mas ainda não há sinais de que os manifestantes que completam duas semanas na praça Tahrir cederiam.

Manifestantes sentaram em frente a tanques do Exército nos arredores da praça, temendo que quaisquer movimentos dos militares poderiam ter como objetivo expulsá-los do local.

Os ativistas também aumentaram as pressões fechando o acesso a Mugamma, o coração da burocracia egípcia, apesar de dezenas de egípcios terem tentado ter acesso ao local para obter documentos como passaportes.

Em meio à tensão, manifestantes detiveram um homem que levava uma garrafa de gasolina nas mãos, na tentativa de colocar fogo no edifício, temendo serem apontados como culpados, e o entregaram aos soldados que controlavam o acesso à praça.

Em outras medidas do governo para reavivar a vida econômica, o toque de recolher em três cidades, incluindo o Cairo, foi reduzido para o período das 20h às 6h locais (16h às 2h em Brasília), e a bolsa de valores informou no domingo que deve reabrir em 13 de fevereiro. A bolsa do Cairo fechou com queda de 10 pontos em 27 de janeiro, depois de US$ 12 bilhões em ações terem sido vendidos em dois dias.

Mubarak reuniu-se em seu gabinete com o vice-presidente Omar Suleiman, com o porta-voz do Parlamento, Fathi Surur, e o presidente da Corte de Apelação egípcia, Sari Siyam, informou a agência de notícias Mena.

No sábado, Suleiman - possível sucessor de Mubarak - tentou amainar a revolta convidando diversos grupos de oposição para ajudá-lo nas "reformas democráticas" . Mas os manifestantes não desistiram e mantiveram a vigília. Grupos de oposição, incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana, repetiram seu pedido para que Mubarak renuncie ou delegue imediatamente seus poderes a Suleiman.

Houve pouco alívio entre os líderes do Ocidente, onde Mubarak já foi forte aliado e defensor da estabilidade no Oriente Médio. O presidente americano, Barack Obama, afirmou que o Egito mudou "para sempre" por causa das revoltas populares iniciadas em 25 de janeiro, e pediu um "governo representativo" no Cairo, apesar de não ter demandado a retirada imediata de Mubarak do poder.

O governo informou que os partidos concordaram em formar um comitê em março para examinar emendas constituicionais , enquanto seriam analisadas as reclamações sobre o tratamento dado a prisioneiros políticos e as reivindicação para afrouxar o controle sobre a mídia. Uma estrita lei de emergência poderá ser levantada "dependendo da situação de segurança", informou o governo. Mas Suleiman rejeitou a principal demanda da oposição, afirmando que não assumiria o cargo de Mubarak durante a transição.

Nem todos os movimentos de oposição envolvidos na revolta contra Mubarak estavam presentes nas conversas. O dissidente e ex-presidente da agência nuclear da ONU Mohamed ElBaradei não foi convidado, e criticou as negociações.

A Irmandade Muçulmana, ainda banida oficialmente, informou ter concordado em participar dos encontros porque pretendia determinar se o governo estava comprometido com reforma, mas avisou que as concessões iniciais eram insuficientes .

Enquanto Mubarak afirmou estar "cheio" do poder, disse que precisa ficar no governo até as eleições presidenciais de setembro para garantir a estabilidade - mas as frustrações dos manifestantes agora encontram eco no exterior.

O chanceler da Espanha afirmou que as eleições precisam ser levadas adiante, mas a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que uma eleição antecipada traria complicações caso não haja organização entre os grupos de oposição.

Mas isso não teve impacto na praça Tahrir, onde os manifestantes mantiveram as demandas para a saída imediata de Mubarak, não acreditando nas intenções do ditador de deixar o poder depois de três décadas.

*Com AFP

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