Diplomata brasileiro denuncia execuções e prisões em massa na Síria

Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que Rússia e China apoiem plano da Liga Árabe para transição em país árabe

iG São Paulo |

O governo da Síria tem submetido civis a punições coletivas e suas forças continuam sendo acusadas de perpetrar execuções e prisões em massa no bairro de Baba Amr, em Homs , denunciou o diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, responsável pela comissão que investiga violações na Síria do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

AP
Paulo Sérgio Pinheiro falou sobre violações na Síria durante reunião em Genebra
Falando ao conselho das Nações Unidas em nome do painel independente , o brasileiro afirmou que os autores desses crimes devem enfrentar a Justiça. O painel composto por três integrantes no mês passado redigiu uma lista confidencial de suspeitos de estar por trás dos supostos crimes contra a humanidade , incluindo homicídio e tortura. A ideia é que sejam processados por uma entidade respeitável.

Segundo Pinheiro, um mês de bombardeio incessante das forças sírias levou morte e destruição ao bairro sitiado de Baba Amr. "Aqueles que fugiram da área relataram a ocorrência de execuções sumárias e campanhas arbitrárias de detenção em massa", ele afirmou em discurso ao fórum de 47 membros, em Genebra, na Suíça.

Massacre: Tropas sírias mataram centenas de crianças, diz relatório da ONU

A situação desesperadora dos civis na Síria constitui uma urgência absoluta, segundo Pinheiro durante a apresentação de seu segundo relatório , na qual reclamou um acesso humanitário sem entravesno país em conflito. "Depois de meses de obstrução, o governo concedeu um acesso limitado às organizações humanitárias. (...) O livre acesso humanitário deve ser concedido como uma regra geral, não uma exceção", enfatizou Pinheiro.

A situação humanitária e de direitos humanos está dia a dia mais desoladora em bairros de Homs, Idlib, Hama, na zona rural de Damasco e de Deraa, afirmou ele. "O que está claro é que os civis continuam a enfrentar a força da violenta disputa... A força usada pelo governo contra grupos armados frequentemente levou à punição coletiva de civis."

Segundo o brasileiro, desde o início da revolta, há quase um ano, mais de 70 mil foram deslocados por causa da violência, e milhares de outras têm buscado refúgio em países vizinhos da Síria, argumentou o brasileiro. "Aqueles que fugiram da região relataram execuções sumárias em massa e campanhas de prisões arbitrárias", ressaltou Pinheiro.

Investigação: Síria rejeita entrada de comissão da ONU liderada por brasileiro

Segundo a ONU, mais do que 7,5 mil morreram na Síria desde o início do levante contra o regime do presidente Bashar al-Assad. Dentre as vítimas, 500 são crianças, afirmou Pinheiro. Ativistas do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) dizem, no entanto, que o número de vítimas decorrentes do conflito chegam a mais de 8,5 mil.

Em Genebra, o embaixador da Síria na ONU, Faysal Khabbaz Hamoui, classificou como "politizado" o

trabalho do painel da ONU. "Ele perdeu sua marca legal e ética", afirmou em discurso. "A crise não se deve a protestos pacíficos nem a demandas por reforma. A crise se deve à influência de partes externas determinadas em atingir meu país, promovendo uma guerra de mídia contra a Síria e impondo sanções econômicas contra a população síria."

Hillary

Também nesta segunda-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu a Rússia e China que mudem sua postura no Conselho de Segurança e apoiem o plano de transição elaborado para a Síria pela Liga Árabe , que prevê a renúncia de Assad, para deter "os assassinatos de sírios inocentes".

"Acreditamos que chegou o momento de todas as nações, inclusive aquelas que bloquearam anteriormente nossos esforços, apoiarem a aproximação humanitária e política da Liga Árabe", disse Hillary ao Conselho, ao se referir a Moscou e Pequim, que vetaram duas resoluções contrárias à Síria.

Oposição: Jornalistas cidadãos da Síria desafiam a morte para divulgar imagens

"O povo sírio deveria ter a mesma oportunidade de trilhar seu futuro como tiveram os povos da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen", indicou a chefe da diplomacia americana.

AP
Hillary discursa na sede da ONU, em Nova York, sobre divisão do Conselho de Segurança em relação à Síria
Hillary chamou Assad de "cínico" por seguir adiante com sua campanha de repressão enquanto se reunia com o enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, no último fim de semana .

A secretária lamentou o duplo veto russo e chinês de cinco semanas atrás no Conselho de Segurança a uma resolução que incluía o apoio ao plano de transição elaborado pela Liga Árabe, o que definiu como uma "oportunidade perdida" para a comunidade internacional.  "Não pudemos sequer condenar a violência e apoiar um plano de paz elaborado pelos vizinhos da Síria", disse Hillary, que indicou que "o respeito à soberania e à integridade do país não significa que o Conselho de Segurança deve permanecer em silêncio enquanto um governo massacra seu próprio povo".

*Com AFP, Reuters e EFE

    Leia tudo sobre: síriapaulo sérgio pinheiroonuassadhillary clintoneuababa amrhoms

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG