Dias de Kadafi estão contados, diz Hillary em reunião sobre Líbia pós-Kadafi

Nações ocidentais, países árabes e rebeldes discutem em Abu Dhabi cenário no país do norte da África após saída de líder líbio

iG São Paulo |

AP
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, encontra-se em Abu Dhabi com Mahmoud Jibril, presidente do burô executivo do conselho nacional de transição da Líbia
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira que os dias do regime líbio de Muamar Kadafi estão contados. A afimação foi feita antes do início de uma reunião nos Emirados Árabes Unidos entre países ocidentais e árabes para discutir como devem evoluir os eventos na Líbia quando Kadafi não estiver mais no poder.

"Os dias de Kadafi estão contados. Trabalhamos com nossos associados internacionais dentro da ONU para preparar o inevitável: a Líbia da era posterior a Kadafi", afirmou Hillary em uma declaração cujo texto foi distribuído para a imprensa.

O chamado Grupo de Contato - que inclui EUA, França e Grã-Bretanha, além de Estados árabes aliados, como o Catar, Kuwait e Jordânia - reunido em Abu Dhabi também deve declarar que mantém sua promessa de estabelecer um fundo para ajudar os rebeldes líbios que tentam depor Kadafi há meses. O grupo está pressionando os rebeldes a apresentar um plano de governo no caso de Kadafi deixar o cargo ou ser destituído.

O encontro ocorre em meio à intensificação dos ataques aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na capital líbia, Trípoli. Os ataques aéreos foram retomados na quarta-feira à noite depois de um intervalo que se seguiu ao pior dia de bombardeios desde o início da campanha militar, em março. Novas explosões abalaram a capital na manhã desta quinta-feira.

Antes do encontro, o ministro do Petróleo e das Finanças da rebelião líbia, Ali Tarhuni, disse nesta quinta-feira em Abu Dhabi que a rebelião começará a produzir em breve 100 mil barris de combustível diários, sem especificar um cronograma. Ele pediu mais ajuda, imediatamente.

"Em breve começaremos a produzir 100 mil barris diários", disse Tarhuni, que manifestou a esperança de que a reunião estabeleça um mecanismo financeiro de ajuda ao Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político da rebelião. "Será um fracasso se não houver claro comprometimento financeiro", disse. "Nosso povo está morrendo...," afirmou.

O ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, declarou que a Itália daria aos rebeldes ajuda de cerca de 400 milhões de euros (US$ 586,1 milhões) em dinheiro e combustível, tendo por base os bens líbios.

Na quarta-feira, autoridades da Otan descartaram que a Aliança Atlântica envie tropas terrestres na Líbia para manter a ordem depois que a atual guerra civil terminar, deixando para a ONU a tarefa de ajudar o país a realizar sua transição democrática assim que Kadafi não estiver mais no poder.

O secretário-geral da organização, Fogh Rasmussen, fez a declaração após reunião com os ministros de Defesa dos 28 Estados-membro da aliança. "Para Kadafi, não é mais uma questão se ele sairá, mas quando", disse. "Pode levar semanas, mas pode acontecer amanhã e, quando ele for, a comunidade internacional tem de estar preparada."

Rasmussem afirmou que a organização não vê um papel de liderança da Otan na Líbia assim que a crise terminar. "Vemos a ONU desempenhando um papel central no cenário pós-Kadafi e pós-conflito", disse. Os ministros da Defesa dos países-membros da Otan se reuniram na sede da organização em Bruxelas.

Crimes de guerra

O presidente de uma comissão de investigação da ONU, Cherif Bassiouni, afirmou nesta quinta-feira que as forças governamentais de Kadafi e seus seguidores cometeram crimes de guerra e contra o direito humanitário "como parte de um sistemático ataque" lançado contra os civis em resposta aos protestos e no posterior conflito contra os rebeldes líbios.

As declarações foram dadas por Bassiouni ao apresentar as conclusões de sua missão investigadora ao Conselho de Direitos Humanos. "O que começou como protestos pacíficos que reivindicavam democracia se chocou com a violenta oposição do governo e a situação se transformou rapidamente em uma guerra civil", disse.

Desde então, "as forças governamentais cometeram atos contra o direito internacional humanitário e os direitos humanos como assassinatos, detenções ilegais, torturas, desaparecimentos forçados e outros, como parte de um sistemático ataque contra os civis", afirmou.

O relatório publicado no início deste mês pela comissão também afirma que as forças fiéis a Kadafi cometeram "crimes de guerra" como "ataques deliberados a civis e aos profissionais de saúde". O especialista da ONU disse que, "no início, os ataques foram lançados do ar e, quando entrou em vigor a zona de exclusão aérea (imposta pelo Ocidente), começaram a atacar com tanques e artilharia". "Concretamente, foram utilizados mísseis Grad contra os civis, assim como franco-atiradores", disse.

Bassiouni confirmou que a missão também encontrou casos de crimes cometidos pelos rebeldes , mas ressaltou que não considera que se trate de uma política sistemática e deliberada. O presidente da comissão disse que ainda há outras acusações a ser investigadas, como é o caso do suposto uso de mercenários e de crianças-soldado, assim como de violência sexual, e pediu que o conselho prorrogue o mandato do grupo no país.

Na quarta-feira, o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, afirmou ter evidências de que o líder líbio ordenou que mulheres fossem estupradas como uma estratégia contra as forças rebeldes.

*Com AFP, EFE, Reuters e BBC

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