Dezenas de militantes da Al-Qaeda fogem de prisão no Iêmen

Quase 60 escaparam, em sinal de que rede terrorista se aproveita de instabilidade para reforçar seu ponto de apoio no país

iG São Paulo |

Dezenas de militantes da rede terrorista Al-Qaeda fugiram de uma prisão no sul do Iêmen nesta quarta-feira após um ataque contra o complexo, disseram autoridades de segurança. Países ocidentais e a vizinha Arábia Saudita temem que a Al-Qaeda esteja se aproveitando da instabilidade no Iêmen para reforçar seu ponto de apoio no empobrecido país e lançar ataques na região.

Um soldado foi morto e dois ficaram feridos quando militantes abriram fogo contra a prisão de al-Munawara, na cidade portuária de al-Mukalla, no sul do país. "Os militantes abriram fogo contra os portões da prisão e trocaram tiros com os guardas, ferindo dois e matando um", disse uma autoridade da segurança. Pelo menos 57 militantes conseguiram escapar da prisão.

Todos os prisioneiros eram iemenitas e a maioria foi detida depois de retornar do Iraque, onde lutaram em postos militantes, afirmou. Entre os fugitivos estavam militantes condenados sob acusações de terrorismo ou presos aguardando julgamento.

Opositores do presidente Ali Abdullah Saleh o acusaram de permitir que os militantes islâmicos atacassem Zinjibar, a capital da Província de Abyan, no sul do Iêmen, no mês passado, para promover a ideia de que apenas ele poderia impedir uma tomada de poder islâmica.

A última grande fuga de militantes da Al-Qaeda no Iêmen aconteceu em 2006, quando 23 escaparam de um centro de detenção na capital do país, Sanaa, incluindo Qassim al-Raimi, que se tornou a figura mais dominante do braço da rede terrorista nesse país.

A Al-Qaeda no Iêmen está relacionada a vários ataques frustrados contra alvos americanos, incluindo a conspiração para explodir um avião que ia para Detroit no Natal de 2009. O grupo também colocou bombas sofisticadas em aviões de carga que se dirigiam aos EUA no ano passado.

A crise política do Iêmen começou quando manifestantes inspirados pelos bem-sucedidos levantes no Egito e Tunísia saíram às ruas no início de fevereiro. O movimento amplamente pacífico foi substituído por um pesado combate de rua quando combatentes tribais pegaram em armas no final de maio.

O presidente do Iêmen, que está no poder há quase 33 anos, ficou gravemente ferido em um ataque contra o seu palácio no início deste mês e está sendo tratado na Arábia Saudita. O líder da confederação tribal mais poderosa do país advertiu na terça-feira em uma carta ao rei saudita de que o Iêmen poderia cair em uma guerra civil se Ali Abdullah Saleh voltar.

*Com Reuters e AP

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