Desempregados e policiais entram em confronto na Argélia

Choques entre dezenas de manifestantes e tropas acontece enquanto grupos planejam grande manifestação para o sábado

EFE |

Violentos confrontos foram registrados nesta terça-feira entre dezenas de manifestantes argelinos desempregados e as tropas de choque na localidade de Naciria, na província de Boumerdès, vizinha à de Argel, informou nesta terça-feira a edição digital do jornal "El Watan". Os choques aconteceram enquanto grupos planejam para o sábado uma grande manifestação para exigir o fim do regime.

Por várias horas, os desempregados interromperam o trânsito na estrada RN12, que liga a capital do país à região da Cabília, na altura de Naciria, a 45 quilômetros ao leste de Boumerdès, até serem dispersados violentamente pelas forças da ordem.

Os manifestantes, que reivindicavam empregos, foram depois à cidade de Naciria, onde continuaram os confrontos com os policiais. Desde Argel, era possível observar nesta tarde colunas de fumaça preta ao leste da capital, provavelmente procedentes da queima de pneus utilizados pelos manifestantes para cortar as estradas.

Em Tizi-Ouzou, a capital da Cabília, os moradores de um povoado situado a oito quilômetros da cidade cortaram nesta terça-feira também a RN12, reivindicando obras de infraestrutura na localidade. Por causa dos cortes, um gigantesco congestionamento se formou na estrada entre Argel e Cabília, um dos principais eixos viários do país, que normalmente registra tráfego intenso.

Na província de Anaba, no extremo leste do país, centenas de desempregados interromperam as principais vias de acesso à localidade de Chaiba, colocando diversos objetos na estrada e incendiando pneus, como relatou a versão digital do jornal "Tout sul l'Algérie". O governador de Anaba prometeu na segunda-feira a criação de 7 mil postos de trabalho para os jovens da região.

Autoimolação

As tentativas de argelinos desesperados de atear fogo no próprio corpo por causa das péssimas condições de vida na Argélia não param de acontecer em diferentes regiões do país, e houve outros cinco novos casos no domingo, informaram na segunda-feira fontes locais.

Desde meados de janeiro se contabilizam mais de 20 casos em todo o país, incluindo o de uma mulher, em que houve a tentativa de queimar o próprio corpo em protesto pela precariedade econômica.

No domingo houve a primeira tentativa desse tipo na capital, quando um homem com cerca de 40 anos e pai de três filhos, que participava de um protesto de desempregados perante o Ministério do Trabalho, molhou-se com gasolina e tentou se incendiar, ato que foi impedido por um policial e um jornalista que cobria a manifestação.

A autoimolação de um camelô na cidade de Sidi Bouzid, na Tunísia, em protesto contra o confisco de suas mercadorias por policiais, foi um dos estopins dos protestos que desencadearam na renúncia do presidente Zine El Abidine Ben Ali em 14 de janeiro.

Filmado por tunisianos que estavam no local munidos de seus telefones celulares, um vídeo do ato foi publicado no YouTube, compartilhado em redes sociais e transmitido pela emissora Al-Jazeera, alcançando grande número de espectadores árabes e, depois, ganhando o noticiário internacional.

Além da Argélia, os protestos na Tunísia tiveram efeitos no Egito, Sudão, Jordânia, Iêmen e em outros países do mundo árabe.

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