Depois de mal-estar, Otan se desculpa por fogo amigo na Líbia

Após subcomandante da Otan se negar a fazer mea culpa por bombardeio que matou rebeldes, secretário lamentou 'incidente infeliz'

iG São Paulo |

Depois de se recusar a pedir desculpas por ter bombardeado por engano tanques usados por rebeldes líbios em Ajdabiya, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se retratou e pediu desculpas pelas mortes.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, lamentou nesta sexta-feira o bombardeio que matou pelo menos quatro opositores do regime líbio de Muamar Kadafi. "Esse foi um incidente muito infeliz. Eu lamento muito a perda de vidas", disse Rasmussen a respeito do bombardeio contra um tanque dos rebeldes nas proximidades da cidade de Ajdabiya, no leste da Líbia.

Reuters
Rebelde é visto na entrada de Ajdabiya, na Líbia
A desculpa de Rasmussen veio acalmar os ânimos depois de um outro porta-voz da Otan ter dito que a aliança ocidental não se desculparia pelo incidente. "Não vou pedir desculpas", afirmou o britânico Russell Harding, subcomandante da Otan no país. "A situação ainda é extremamente fluida e até então não tínhamos a informação de que os rebeldes estavam usando tanques."

Contradição

As declarações de Harding, no entanto, contradizem a versão de um líder rebelde que afirmou ter comunicado para a Otan as coordenadas exatas por onde passaria seu comboio de tanques. O general Abdelfatah Yunis solicitou à Otan um pedido de desculpas pelas mortes, embora tenha ressaltado que o incidente não prejudicaria as relações dos insurgentes com a aliança.

Pouco depois das declarações de Harding, o chanceler britânico, William Hague, se disse a favor do pedido de desculpas. "Devemos nos desculpar quando ocorre um erro. Se morrem pessoas que não estão atacando civis, obviamente ocorreu um erro", ressaltou.

O bombardeio sobre as tropas rebeldes foi o terceiro incidente de fogo amigo ocorrido desde que a Otan assumiu as operações na Líbia - antes conduzidas por uma coalizão internacional -, há uma semana. Pelo menos 20 civis morreram nesses incidentes anteriores.

Em meio aos confrontos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse ter informações "confiáveis e consistentes" de que francoatiradores leais a Kadafi estariam alvejando especificamente crianças em Misrata. A cidade é a única controlada por rebeldes no oeste do país e está cercada e sob ataque há semanas por forças do governo. Os insurgentes afirmaram que a cidade pode "deixar de existir" a menos que a ONU intervenha.

Metas

Na quinta-feira, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs um mapa de metas para a paz na Líbia ao mesmo tempo em que apelou a forças leais a Kadafi a recuar em nome da transição democrática no país.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Erdogan disse que as medidas e coordenadas do plano seriam discutidas em um encontro para avaliar e guiar a intervenção da comunidade internacional na Líbia, prevista para ocorrer no Catar, na próxima semana.

Nesta semana, a Turquia manteve diálogos com enviados do governo de Kadafi e representantes da oposição líbia. O premiê turco assegurou à oposição que a Turquia apoia suas demandas, depois de recentes protestos de alguns membros da oposição contra na Líbia contra a Turquia.

A Turquia inicialmente recebeu com receio a ideia de intervenção militar na Líbia, mas agora apoia uma zona de exclusão aérea para proteger civis. Além disso, o governo turco de voluntariou para liderar esforços de ajuda humanitária na Líbia.

O Ministério das Relações Exteriores britânico disse que representantes de potências europeias, aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, representantes da Liga Árabe e organizações internacionais estarão na reunião em Doha, Catar, prevista para a próxima quarta-feira. O grupo para debater a questão Líbia foi estabelecido durante um encontro em Londres, na semana passada.

*Com BBC e AP

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