Cúpula de Paris discute reconstrução da Líbia

Líderes de diversos países se reúnem na França enquanto combates continuam no país do norte da África e Kadafi permanece foragido

BBC Brasil |

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Mulher com dedos pintados com as cores bandeira anterior ao do regime de Muamar Kadafi faz sinal da vitória na Praça Verde, em Trípoli (31/8)
Líderes de diferentes países estão reunidos nesta quinta-feira em Paris para traçar um projeto para o futuro da Líbia e estabelecer as medidas necessárias para promover a reconstrução do país, abalado por seis meses de guerra civil. A discussão acontece enquanto os combates no país do norte africano ainda não terminaram. O coronel Muamar Kadafi permanece foragido e rebeldes estão promovendo um cerco à sua cidade natal , Sirte.

Os rebeldes que formam o Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político) contam com o reconhecimento da União Europeia e da Liga Árabe, entre outras nações. O Brasil, porém, que será representado no evento pelo embaixador Cesário Melantonio Neto, espera o posicionamento da ONU sobre a questão.

Até mesmo países que se abstiveram na resolução que permitiu a campanha aérea comandada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra forças de Khadafi, como a Rússia e a China, estarão presentes. A Rússia, por exemplo, anunciou nesta quinta que reconhece os rebeldes líbios como autoridade do país . Mas diversos países ainda hesitam em reconhecer os rebeldes como o governo interino da Líbia.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o comandante da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estão entre os presentes. Líderes árabes, como o emir do Catar e o rei da Jordânia, também participam da reunião.

Objetivos

A reunião visa também a reforçar a autoridade e o apoio em torno do CNT em meio à consolidação do controle dos rebeldes em torno da capital, Trípoli, e de outras áreas ainda nas mãos de forças leais a Kadafi.

O ponto de partida da reunião é traçar metas de reconstrução nacional, mas de uma forma distinta dos princípios que nortearam a reconstrução do Iraque e do Afeganistão. Apesar de os rebeldes terem contado com a ajuda dos ataques aéreos da Otan, a revolta é estritamente interna no sentido de que foi iniciada pelo próprio povo do país, e não por agentes externos. Nesse aspecto, a mudança de regime tem sido essencialmente um projeto da Líbia, sendo a própria população local responsável pelo processo de reconstrução de seu país no pós-guerra.

Há muito a reconstruir na Líbia. O trabalho é extenso, e os problemas são inúmeros e urgentes. É preciso distribuir água, medicamentos e alimentos. A segurança precisa ser restabelecida, enquanto a economia, especialmente a relacionado à indústria petrolífera, precisa ser retomada.

Existe também uma ambiciosa agenda para reconstrução política e constitucional. Instituições democráticas terão de ser construídas praticamente do nada. O ânimo entre os governantes dos países ocidentais parece ser positivo. Segundo uma fonte do governo britânico, ''dados os problemas que eles herdaram, o progresso do CNT é bastante promissor''.

Reconstrução e reconciliação

Mas em um país em que há diferenças regionais, tribais e de outras naturezas, muita coisa ainda pode dar errado. O importante é mostrar que a reconstrução e a reconciliação estão a caminho.

O Conselho de Segurança da ONU discute uma resolução que liberaria os fundos da Líbia que estão bloqueados, o que permitiria que outros paiíes seguissem os exemplos do Reino Unido e França, que liberaram a verba líbia que haviam bloqueado.

Mas a resolução ainda enfrenta polêmicas, e sua aprovação poderá demorar alguns dias. A África do Sul é um dos países que permanecem incertos quanto a considerar o regime de Kadafi parte do passado. A Líbia precisa de dinheiro rapidamente, para poder pagar funcionários públicos e para retomar a atividade econômica no país.

AFP
Rebelde líbio é visto perto de bloqueio com a foto do líder deposto Muamar Kadafi, em possível disfarce, sob o slogan: 'Procurado vivo ou morto'
É por isso que são tão importantes as cédulas de dinheiro impressas no Reino Unido e enviadas ao país por meio de aviões da Força Aérea Real britânica - que representam uma cifra de cerca de 280 milhões de dinares (cerca US$ 334 milhões).

Mas a Líbia, com seu potencial de lucros do petróleo e com uma população relativamente pequena, está longe de ser um caso perdido. Ela precisará de assistência para ser reconstruída. Mas há diversos candidatos para ajudar.

O Reino Unido e a França, que pressionaram pela campanha aérea contra as forças de Kadafi e comandaram a coalizão da Otan, querem despempenhar um papel de destaque na reconstrução da Líbia, assim como o tradicional parceiro econômico da Líbia na Europa, a Itália.

Dentro em breve, deverá haver uma pressão em estabelecer transações comerciais. Nos bastidores, essa pressão pode até já ter começado. No momento, porém, a ênfase é na diplomacia. A esperança é de que um encontro mais formal dos ''amigos da Líbia'' seja realizado paralelamente à Assembleia Geral da ONU, que acontece em Nova York, em setembro.

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