Cruz Vermelha entra em cidade natal de Kadafi

Em meio às batalhas, grupo humanitário deixou Sirte antes de conseguir avaliar as necessidades da população civil

iG São Paulo |

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) enviou uma equipe com um médico para Sirte no intuito de levar suprimentos médicos a um hospital. Em um comunicado, o CICV disse que havia 200 feridos no hospital em Ibn Sina, que estava com escassez de energia para manter seus geradores.

AP
Forças revolucionárias lançam um míssil durante batalha contra partidários de Kadafi em Sirte

Por conta das condições de segurança, o CICV comunicou que a equipe teve que deixar o local antes de avaliar as necessidades da população civil, mas foi capaz de falar com representantes de Sirte que relataram escassez de água e alimentos.

"O hospital está enfrentando um grande afluxo de pacientes, suprimentos médicos e está precisando de oxigênio. O principal problema, é que o reservatório de água foi danificado", dizia o comunicado.

Duas crianças e seus pais foram mortos por tiros de metralhadora enquanto tentavam deixar a cidade de Sirte, na Líbia, enquanto forças leais ao líder deposto, Muamar Kadafi, continuam a lutar contra as tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT), que tentam tomar a cidade.

Os corpos foram trazidos em um hospital montado do lado de fora de Sirte, informou o médico Nuri Naari. Eles foram atingidos enquanto se dirigiam em direção aos locais tomados pelas forças revolucionárias, nas fronteiras da cidade. De acordo com a AP, não foi possível identificar o responsável pelas mortes.

Enquanto isso, o alto comandante americano na África afirmou nesse sábado que a missão militar na Líbia estava quase completa e a Otan poderia começar a se retirar, assim que acontecer uma reunião entre aliados em Bruxelas para discutir o assunto.

Sirte é um dos últimas redutos de Kadafi. As forças do governo interino deu às famílias que permanecem dentro de Sirte dois dias para deixar a cidade começando na sexta, disse Mustafa Abdul-Jalil, presidente do CNT, que agora governa o país. Eles tentaram formar um caminho seguro aberto para os civis que desejam partir. "Nesse período daremos a chance para famílias deixarem áreas de combates."

Centenas de carros lotados com residentes de Sirte formaram longas filas nos postos de controle das tropas do CNT.

A longa batalha por Sirte, cercada por combatentes anti-Kadafi e atingida por ataques aéreos permanentes da Otan, tem encurralado pessoas dentro da cidade de cerca de 100 mil habitantes por conta dos violentos conflitos das duas últimas semanas.

Os combates continuaram nos frontes ao oeste e leste da cidade nesse sábado, com ambos os lados novamente trocando disparos de foguetes e morteiros. Sons muito altos foram ouvidos no centro da cidade, e fumaça branca subiu nos locais atingidos pelos ataques da Otan.

Os conflitos continuam pesados em um caminho no leste da cidade, onde combatentes do CNT ficaram cercados por seis dias por artilharia e atiradores de elite das forças pró-Kadafi. Comandantes do CNT disseram que os atiradores eram a principal dificuldade para seu avanço. Jornalistas da Reuters viram alguns combatentes anti-Kadafi fugirem do fronte ao serem alvejados.

Nesse sábado, quando um caminhão trouxe um combatente do CNT morto, seus colegas dispararam para o alto e começaram a gritar: "Muamar, o rato! Ele está nos matando!"

Homens leais a Kadafi e alguns civis estão culpando os ataques aéreos da Otan e as ações das forças do CNT pela morte de civis. A Otan e o CNT negam. Eles e civis que deixaram a cidade alegam que homens pró-Kadafi estão executando pessoas que acreditam ser simpatizantes do CNT.

Na semana passada, o ministro da Defesa líbio anunciou que o porto, aeroporto e a base militar de Sirte estavam sob o controle das forças revolucionárias. No sábado, o comandante Musatafa al-Rubaie afirmou à Associated Press que embora as forças do CNT tenham cercado Sirte por todos os lados, um caminho foi deixado livre para os civis que queiram deixar a cidade. Depois de semanas de lutas intensas, as tropas anti-Kadafi estão a uma distância de cinco quilômetros do centro, segundo al-Ruabie.

Um homem que se dizia ser o porta-voz de Kadafi, Moussa Ibrahim, negou que tivesse sido capturado, como divulgado na mídia recentemente. À rede de televisão Al-Rai, com sede na Síria, ele afirmou que estava viajando com 23 combatentes em Sirte.

Com Reuters, EFE e AP

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