Cruz Vermelha consegue entrar em Homs, na Síria, para retirar feridos

Equipes negociam com autoridades para resgatar também jornalistas internacionais da cidade que está sob ataque há 21 dias

iG São Paulo |

Equipes da Cruz Vermelha conseguiram entrar na sitiada cidade de Homs, nesta sexta-feira, e começaram a retirar mulheres e crianças feridas. De acordo com membros da Cruz Vermelha, a entidade já conseguiu retirar sete pessoas e negocia com autoridades e rebeldes para que possa resgatar todos os feridos, incluindo dois jornalistas ocidentais.

AP
Imagem de satélite mostra explosão de gasoduto no bairro de Baba Amr, em Homs (15/2)
Os esforços para retirar os repórteres – que foram feridos no ataque que matou a correspondente de guerra americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Remi Ochlik – é parte de uma pressão internacional para trazer ajuda às áreas mais atingidas pelo conflito entre opositores e forças leais ao presidente sírio, Bashar Al-Assad.

Hicham Hassan, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que a entidade internacional e o Vermelho Crescente, seu braço na Síria, estão trabalhando no bairro de Baba Amr, em Homs, desde a tarde desta sexta-feira. À BBC ele disse que a situação em Homs piora a cada hora.

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Na quinta-feira, os jornalistas franceses William Daniels e Edith Bouvier fizeram um apelo ao governo do país, pedindo ajuda e um cessar-fogo. Bouvier, repórter do jornal Le Figaro, foi atingida pela mesma bomba que matou Colvin e Ochlik, além de ter ferido também o fotógrafo britânico Paul Conroy.

Sob ataque

Homs, a terceira maior cidade da Síria, tem sido alvo há 21 dias de ofensivas do governo . A resolução, que pode sofrer mudanças, também exige "que as agências humanitárias possam fornecer produtos e outros serviços a sírios atingidos pela violência."

A ONU divulgou sua última estimativa de mortes no conflito em janeiro, dizendo que 5,4 mil foram mortos apenas em 2011. Mas centenas foram mortos desde então, de acordo com grupos ativistas, que afirma que o total de mortos estaria agora em 7,6 mil. Não há como verificar os números de forma independente, já que a Síria proíbe a atuação de quase todos os jornalistas internacionais e organizações de direitos humanos.

Reunião

Nesta sexta-feira, o Conselho Nacional Sírio (CNS), braço político da oposição na Síria, fez um apelo aos "Amigos da Síria" nesta sexta-feira para que armassem o Exército Sírio Livre e apoiassem toda forma de resistência popular contra Assad.

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"Se o regime não aceitar os termos da iniciativa política esboçada pela Liga Árabe e não puser fim à violência contra seus cidadãos, os “Amigos da Síria” não restringirão países individuais de ajudarem a oposição síria com assessores militares, treinamento e fornecimento de armas para se defenderem", disse o CNS em um comunicado com sete exigências para o encontro internacional em Túnis.

Cerca de 70 nações, incluindo os EUA, Reino Unido, França e a Turquia participam da conferência, organizada pela Liga Árabe. O objetivo do encontro é acordar uma declaração sobre a Síria, que deve exigir um cessar-fogo imediato e uma avaliação humanitária baseados em ameaças de mais sanções caso as medidas sejam ignoradas.

*Com AP e BBC

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