Cruz Vermelha começa a retirar civis de Homs

Equipes negociam com autoridades para resgatar também jornalistas internacionais da cidade que está sob forte ataque

BBC Brasil |

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A Cruz Vermelha Internacional anunciou neste sábado a retomada da operação para retirada de civis sitiados na cidade síria de Homs. Na sexta-feira, os primeiros civis foram retirados do local desde o início dos bombardeios promovidos pelo Exército sírio.

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A cidade de Homs é o principal bastião do movimento de protesto contra o regime do presidente Bashar al-Assad, iniciado há 11 meses.

AP
Imagem de satélite mostra explosão de gasoduto no bairro de Baba Amr, em Homs (15/2)

Milhares de pessoas estão sitiadas em áreas residenciais submetidas a fortes bombardeios pelas forças do governo. Os distritos são defendidos por soldados rebeldes que se auto-denominam o Exército da Síria Livre e que contam somente com armamentos leves.

Jornalistas feridos estão entre os que buscam deixar o local. A Cruz Vermelha afirmou que pretende retirar todos os que necessitam de ajuda.

Dois jornalistas feridos fizeram apelos em vídeo por ajuda, a francesa Edith Bouvier, que tem uma perna quebrada, e o britânico Paul Conroy. Ambos foram feridos no ataque que matou outros dois jornalistas, a americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Remi Ochlik .

Ambulâncias

Na sexta-feira, após longas negociações com as autoridades sírias, três ambulâncias do Crescente Vermelho Sírio (afiliado local da Cruz Vermelha) foram autorizadas a entrar no subúrbio de Baba Amr, tomado pelos rebeldes e o centro dos ataques do Exército.

As ambulâncias retiraram 20 mulheres e crianças, além de sete homens que estavam gravemente doentes ou feridos.

Os feridos foram transferidos a um hospital em Homs, segundo um comunicado do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês).

"O ICRC continuará suas discussões e negociações com as autoridades sírias e membros da oposição para podermos realizar essas operações de retirada", afirmou o comunicado.

"A ideia é retirar todos os feridos e doentes, aqueles que estejam em uma situação desesperadora para chegar a postos médicos para tratamento de urgência", complementou.

Conferência
Os esforços diplomáticos para tentar interromper a violência na Síria aumentaram na sexta-feira com um encontro de altos representantes de 70 países em Túnis, capital da Tunísia.

O grupo, chamado de "Amigos da Síria" , emitiu uma declaração pedindo ao governo sírio que interrompa a violência imediatamente, permita a entrada de ajuda humanitária e permita o envio de suprimentos.

O grupo também prometeu ampliar as sanções contra a Síria, incluindo proibições de viagens, congelamentos de bens, interrupção do comércio de petróleo, redução das relações diplomáticas e o controle de carregamentos de armas.

A conferência endossou o principal grupo opositor, o Conselho Nacional Sírio, como uma voz "confiável" da oposição, mas evitou declarar o grupo como um possível novo governo.

O conselho já afirmou que uma intervenção militar externa poderia ser a "única opção" para remover o regime de al-Assad, mas nações árabes e ocidentais rejeitam até agora a ideia de uma missão internacional semelhante à que ajudou a derrubar o coronel Muamar Khadafi na Líbia.

Na conferência em Túnis, a Arábia Saudita defendeu que grupos oposicionistas sírios recebam armas para ajudar a derrubar o regime de Assad.

Aliados importantes da Síria, a China e a Rússia não estão presentes no encontro na Tunísia.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, criticou os dois países, que usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para rejeitar resoluções contra a Síria.

"É muito preocupante ver esses dois membros permanentes do Conselho de Segurança usarem seus vetos enquanto pessoas estão sendo assassinadas - mulheres, crianças, corajosos homens jovens - e casas estão sendo destruídas", disse ela em Túnis.

"É lamentável, e eu pergunto: de que lado eles estão? Claramente não estão do lado do povo sírio", afirmou.

Mortes
Ativistas disseram que 103 pessoas foram mortas pelas forças do governo sírio em todo o país na sexta-feira.

A ONU estimou em janeiro que 5.400 pessoas haviam sido mortas no conflito desde março do ano passado. Ativistas dizem que esse número já chega a 7.300.

O regime sírio restringe o acesso de jornalistas estrangeiros ao país, tornando esses números difíceis de serem verificados independentemente

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