Crise no Egito leva imigrantes a buscar perspectivas na Itália

Depois de tunisianos, cerca de 100 egípcios, entre eles menores de idade, chegaram à costa da Sicília nesta quarta-feira

iG São Paulo |

Depois de tunisianos buscarem refúgio na Itália , nesta quarta-feira cerca de 100 imigrantes egípcios, entre eles menores de idade, chegaram à região italiana da Sicília.

De acordo com a Organização Internacional de Migrações (IOM, da sigla em inglês), o primeiro bote com 66 imigrantes a bordo foi interceptado na noite de segunda-feira para terça-feira próximo do litoral sudeste da Sicília. Horas depois, uma segunda embarcação que transportava cerca de 30 imigrantes chegou à Ragusa.

AP
Policial italiano caminha em frente de imigrantes enquanto esperam na ilha de Lampedusa para embarcar para Porto Empedocle, na Sicília (14/2/2011)
"Embora tenham dado muita atenção aos imigrantes tunisianos que chegam por mar à ilha italiana de Lampedusa após os recentes eventos em seu país, não é raro que pequenos grupos de imigrantes irregulares egípcios viajem ocasionalmente por mar ao sudeste da Sicília", explicou a organização. A entidade acrescentou que seus representantes na região da Itália se reunirão nesta quarta-feira com os menores de idade para estabelecer suas necessidades e de proteção, assim como oferecer-lhes informação sobre sua situação legal.

Na semana passada, milhares de imigrantes tunisianos fugiram em embarcações rumo à Itália. Uma dúzia de jovens deixou o povoado de Sedouikech, perto da costa do Mediterrâneo, com destino à ilha italiana de Lampedusa, a bordo de um barco de pesca superlotado, mas a viagem terminou em fracasso e morte.

Na segunda-feira, os moradores enterraram um dos homens, Walid Bayahia, que foi morto quando o barco de pesca colidiu com um navio patrulha da Guarda Nacional da Tunísia e afundou nas águas frias, de acordo com quatro dos moradores que sobreviveram. "Quatro enterrados e dois desaparecidos é um desastre", disse Tarak Bahyoun, um pintor de casas que compareceu ao funeral, ao jornal americano The New York Times. "Nada aconteceu aqui antes".

A queda do presidente autocrático da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro, trouxe euforia e esperança para o país de 10 milhões de habitantes. Mas a revolução, como tunisianos chamam o movimento, também criou um vácuo no poder. Depois de lutar contra os manifestantes durante semanas, a polícia, temendo represálias, abandonou seus quartéis.

O governo interino da Tunísia disse na segunda-feira que montou postos de controle militar em vários portos para tentar conter o fluxo de partida de seus cidadãos em meio a crescentes tensões com a Itália.

Mais de 3 mil tunisianos desembarcaram em Lampedusa, que fica perto da Sicília, nos últimos dias, levando o governo italiano a declarar estado de emergência humanitária na região. A Itália também pediu ajuda à União Europeia para lidar com os imigrantes.

Encontrar trabalho constante em casa é difícil, disse Zyed Ben Salem, um dos sobreviventes. "Nós só podemos contar com o turismo durante três ou quatro meses por ano", disse ele.

*Com EFE e The New York Times

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