Coronel dissidente da Síria foge para Turquia

Segundo Riad al-Assad, maior autoridade síria a aderir à oposição desde início de levante, 10 mil soldados desertaram regime

iG São Paulo |

Um coronel sírio que se juntou à revolta contra o presidente Bashar al-Assad buscou refúgio na Turquia nesta terça-feira, em um movimento que pode aumentar as tensões entre Damasco e Ancara. O coronel Riad al-Asaad disse à agência de notícias estatal Anatolian que tinha sido alvo de uma repressão militar síria na região de Rastan, perto da cidade de Homs, mas havia escapado.

AP
Em Homs, opositores de Bashar Assad usam símbolos de cristãos, muçulmanos e alauítas em faixa que diz: 'A população síria é única', para mostrar união contra regime sírio
"Vivemos em um lugar seguro na Turquia," disse, agradecendo o governo turco por ter-lhe dado abrigo. A notícia da agência vinha de Hatay, no sul da Turquia, para onde 7 mil sírios fugiram para escapar da repressão de Assad a manifestantes.

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, que previu que o povo sírio "mais cedo ou mais tarde" derrubará Assad, seu antigo aliado, disse que revelaria planos para sanções contra a Síria após visitar refugiados em Hatay nos próximos dias.

A Turquia também anunciou um exercício militar de nove dias em Hatay, território reivindicado pela Síria há algum tempo, a partir de quarta-feira.

Grupos de oposição da Síria se reuniram em Istambul no domingo e pediram por uma ação internacional para acabar com o que eles chamaram de assassinato indiscriminado de civis pelas autoridades sírias, mas rejeitaram uma intervenção militar ao estilo da Líbia.

A Organização das Nações Unidas afirma que ao menos 2,7 mil civis foram mortos desde o início dos protestos, enquanto a Síria culpa gangues armadas apoiadas pelo exterior pela morte de 700 membros das forças de segurança.

Asaad é a maior autoridade síria a desertar para a oposição desde que as revoltas começaram, em março. Após meses de protestos pacíficos, alguns desertores do Exército e dissidentes pegaram em armas, provocando operações militares contra eles, especialmente nas regiões que fazem fronteira com a Turquia e a Jordânia.

Na semana passada, Asaad havia informado que 10 mil soldados desertaram. Mas as autoridades negam qualquer deserção no Exército, afirmando que as operações militares eram uma resposta a apelos de moradores.

"A face real do que acontece na Síria é que grupos de terroristas armados continuam matando e aterrorizando cidadãos e matando militares e policiais", disse o ministro de Informação Adnan Hammoud.

Nesta terça-feira, surgiram confrontos na região Jabal al-Zawiya, em Idlib, durante incursões militares nas cidades de Sarjeh e Shinan, onde supostamente haveria desertores refugiados, disseram ativistas, acrescentando que ao menos dois aldeões foram mortos.

Resolução na ONU

Os EUA esperam que o Conselho de Segurança da ONU se pronuncie nesta terça-feira à noite sobre um projeto de resolução que condena a repressão na Síria, informou o Departamento de Estado.

Após semanas de "diplomacia intensiva", Washington "espera uma votação forte e sólida, e que possamos utilizá-la para enviar ao regime de Assad a mensagem de que a violência deve cessar", declarou Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado.

A Rússia, que dispõe do direito de veto no Conselho de Segurança, considerou nesta terça-feira "inaceitável" a última versão do projeto de resolução, apesar de a referência direta às sanções ter sido retirada.

O projeto "infelizmente está longe de nos satisfazer e não foram levadas em conta nossas inquietações", declarou o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Guennadi Gatilov, à agência Interfax. "É por isso que o texto que os ocidentais se dispõem a submeter ao voto é inaceitável para nós."

Gatilov destacou que Moscou desejava uma resolução que ressaltasse a necessidade de diálogo político na Síria e na qual a pressão fosse exercida sobre a oposição e o regime de Assad. Nas últimas semanas, a Rússia, país aliado da Síria e membro permanente do Conselho de Segurança, bloqueou qualquer projeto de sanções contra o regime sírio.

Reino Unido, França, Alemanha e Portugal preferiram falar de "medidas" antes de "sanções" para ganhar a adesão dos outros membros do Conselho de Segurança à proposta. "Os russos tomarão sua própria decisão, mas esperamos um apoio forte dos membros do Conselho de Segurança", disse Victoria.

Intimidação síria no exterior

A Anistia Internacional denunciou nesta terça-feira uma campanha contra os opositores sírios na Europa, nos EUA e na América Latina, que são "sistematicamente vigiados e hostilizados" por suas embaixadas.

A Anistia citou os casos de mais de 30 militantes no Canadá, Chile, França, Alemanha, Espanha, Suécia, Reino Unido e EUA "que foram alvo de intimidações por parte de oficiais nas embaixadas" nesses países "e cujos parentes e amigos na Síria foram hostilizados, detidos ou, inclusive, torturados".

Paris alertou o regime sírio contra qualquer ato violento ou de intimidação na França contra opositores sírios, alguns dos quais foram vítimas de agressões nas últimas semanas.

*Com Reuters e AFP

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