Líder de órgão consultivo afirma que missão não cumpriu seu propósito e deu permissão a Damasco para encobrir a contínua violência

Um órgão consultivo da Liga Árabe solicitou neste domingo a retirada imediata da sua missão de monitoramento na Síria, afirmando que ela acabou dando permissão a Damasco para encobrir a contínua violência e os abusos que assolam o país.

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Imagem de 30/12/2011 mostra manifestantes correndo de jatos de água em Idlib, na Síria
AP
Imagem de 30/12/2011 mostra manifestantes correndo de jatos de água em Idlib, na Síria

O Parlamento árabe disse que a maioria dos seus 88 membros estão furiosos com a continuidade da matança na Síria, enquanto cerca de 100 observadores estão no país. Os monitores tinham como intuito garantir que o regime agisse de acordo com os termos do acordo firmado para por fim aos nove meses de repressão - um plano com o qual a Síria concordou em cumprir no dia 19 de dezembro.

O líder do grupo consultivo, Ali Salem al-Deqbasi, disse que a presença dos monitores é uma distração das "flagrantes violações" cometidas pelo regime de Assad.

"O assassinato de crianças e as violações dos direitos humanos estão acontecendo na presença dos observadores da Liga Árabe, aumentando a raiva entre o povo árabe", ele disse. "A missão da equipe da Liga Árabe perdeu seu propósito de impedir a morte de crianças e garantir a saída das tropas das ruas sírias, dando uma chance ao regime do país de abafar a prática de atos desumanos sob os narizes dos monitores árabes", acrescentou em comunicado.

A Liga Árabe criou o Parlamento Árabe, que é formado por legisladores e conselheiros dos Estados do Oriente Médio. Suas recomendações têm apenas um efeito simbólico.

Violência

Segundo grupos ativistas, mais de 150 pessoas foram mortas pelo país desde que os observadores começaram sua missão na terça-feira. O plano da Liga Árabe pedia que o governo removesse suas forças de segurança e armas pesadas das ruas, começasse a travar um diálogo com a oposição, e permitisse que os ativistas e jornalistas entrassem no país. Também reivindica a soltura de prisioneiros políticos.

Nesse domingo, ao menos sete pessoas foram mortas, segundo os Comitês de Coordenação Local, grupo ativista opositor do país. Segundo a organização, três pessoas morreram em Hama e quatro em Homs, entre elas uma criança.

A agência de notícias estatal da Síria disse neste domingo que os corpos de 21 soldados "mortos por grupos terroristas" foram levados para hospitais militares para, depois, serem enterrados.

Os Comitês Coordenados Locais informaram deram um balanço sobre a violência no país em 2011. Segundo os dados dos ativistas, 5.862 pessoas morreram nos protestos e, entre os mortos, encontram-se 395 menores de idade, 146 mulheres e 19 médicos. O Comitê denunciou também que 287 pessoas perderam a vida após terem sido torturadas pelas forças de segurança.

O presidente Bashar al-Assad começou em março a reprimir com violência os protestos que pediam a renúncia de seu governo. As autoridades da Síria afirmam que têm sofrido ataques de grupos terroristas armados pela violência durante a revolta.

Na sexta-feira, dois dos principais partidos opositores sírios concordaram com um roteiro para chegar à democracia se os protestos em massa tiverem sucesso em derrubar o presidente Bashar al-Assad, de acordo com uma cópia do documento ao qual a Reuters teve acesso

O grupo de oposição líder o Conselho Nacional Sírio (CNS), em exílio, assinou o acordo com o Comitê de Coordenação Nacional, grupo cuja maioria está dentro da Síria e discordou de ensejos do CNS por intervenção internacional. Essa foi uma de algumas disputas que dividiram os grupos de oposição e os impediram de chegar a um acordo sobre como uma Síria pós-Assad seria.

Com AP

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