Conselho Nacional de Transição anuncia novo gabinete da Líbia

Premiê interino teve a delicada tarefa de conciliar interesses regionais e ideológicos rivais em mesmo governo

iG São Paulo |

O Conselho Nacional de Transição (CNT) nomeou nesta terça-feira um novo gabinete com várias indicações inesperadas, sugerindo uma tentativa de aplacar as rivalidades entre facções regionais. Para formar o novo gabinete, o CNT teve a delicada tarefa de conciliar interesses regionais e ideológicos diversos, numa tensão que ameaça a frágil estabilidade da Líbia, três meses depois da deposição de Muamar Kadafi , que havia se agarrado ao poder por 42 anos .

AP
Premiê interino da Líbia, Abdurrahim el-Kib anuncia novo gabinete de transição

"Toda a Líbia está representada", disse o primeiro-ministro Abdurrahim al-Kib, eleito no mês passado , durante coletiva. "É difícil dizer que uma determinada área não está representada."

O novo ministro da Defesa será Osama al-Juwali, comandante do conselho militar na cidade de Zintan. Ele não era visto como um dos favoritos ao cargo, mas parece ter se credenciado depois de as forças sob seu comando capturarem Saif al-Islam , o último filho de Kadafi foragido na Líbia.

O chanceler será Ashour Bin Hayal, um obscuro diplomata oriundo de Derna, ao leste. O favorito para o cargo era Ibrahim Dabbashi, embaixador-adjunto da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), que rompeu com o regime de Kadafi logo após o início da rebelião contra ele.

Um diplomata disse à Reuters, em condição de anonimato, que a exclusão de Dabbashi provavelmente foi motivada pela necessidade de agradar aos representantes de Derna, que havia sido uma importante base na rebelião contra Kadafi.

Hassan Ziglam, dirigente da estatal líbia do petróleo, foi nomeado ministro das Finanças. Abdulrahman Ben Yezza, ex-executivo da empresa petrolífera italiana ENI, será o ministro do Petróleo. O Ministério do Interior ficará a cargo de Fawzi Abdelal, um dos líderes rebeldes de Misrata, cujos combatentes capturaram Kadafi em Sirte .

O novo governo da Líbia tem a tarefa de elaborar uma Constituição e garantir as eleições democráticas em junho de 2012, assim como previsto pelo cronograma anunciado após a libertação oficial do país em 23 de outubro , três dias depois da morte de Kadafi .

A Líbia luta atualmente para construir novas instituições a partir dos escombros deixados pelo regime de Kadafi, quando a corrupção era disseminada e os órgãos estatais eram negligenciados. O TPI, com sede em Haia, indiciou Saif al-Islam por crimes contra a humanidade . Mas o procurador-chefe Luis Moreno-Ocampo disse durante a visita a Trípoli que o filho de Kadafi poderá ser julgado dentro da Líbia , desde que o processo atenda aos requisitos da corte internacional.

Saiba mais:
- Tribunal de Haia permite que filho de Kadafi seja julgado na Líbia
- Governo interino da Líbia diz ter capturado filho de Kadafi
- Líbia anuncia prisão de cunhado e chefe de inteligência de Kadafi


"Saif foi capturado, então estamos aqui para assegurar a cooperação. Agora em maio solicitamos um mandado de prisão porque os líbios não podiam fazer justiça na Líbia. Agora, como os líbios decidiram fazer justiça, eles podem fazer justiça, e vamos ajudá-los nisso", disse ele a jornalistas ao desembarcar.

"Nosso Tribunal Penal Internacional age quando o sistema nacional não pode agir. Eles decidiram fazer isso, e por isso estamos aqui para aprender e entender o que eles estão fazendo, e para cooperar."

As autoridades líbias prometeram um julgamento justo, mas o país ainda tem a pena de morte nos seus códigos legais, ao passo que a pena mais rígida que o TPI pode impor é a prisão perpétua.

Saif al-Islam foi preso em uma emboscada nos confins do Saara, e agora está detido na cidade de Zintan, na região das Montanhas Ocidentais, que é a base dos autores da prisão. Ele era o único filho de Kadafi com paradeiro ainda desconhecido, e um porta-voz do CNT em Trípoli qualificou sua prisão como "o último capítulo no drama líbio."

Uma fonte oficial em Zintan disse à Reuters que o processo judicial contra Saif al-Islam já está sendo providenciado. "Um promotor líbio se reuniu (na segunda-feira) com Saif para conduzir uma investigação preliminar", disse Ahmed Ammar.

Com Reuters e BBC

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