Conselho de transição da Líbia não consegue formar novo governo

Anúncio estava previsto para este domingo, mas rebeldes não entraram em consenso

EFE |

A falta de consenso do Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT) sobre a formação do novo governo interino, cujo anúncio estava previsto para este domingo, obrigou a máxima autoridade rebelde a adiar a constituição oficial do novo Executivo.

Após intensas negociações em Bengazi, sede do CNT, os rebeldes não alcançaram um acordo sobre o número de ministérios, afirmou à Agência Efe o porta-voz do centro de imprensa do CNT, Jalal al Galal. Também não houve consenso sobre o nome de alguns ministros, de acordo com o primeiro-ministro interino, Mahmoud Yibril.

Yibril acrescentou que mulheres e jovens devem estar representados na administração e no novo executivo interino, que deverá dirigir os assuntos do país durante os próximos oito meses até a realização de eleições.

No entanto, Yibril não deu uma data para o anúncio da lista ministerial e se limitou a dizer que esperava que os contatos terminassem o mais rápido possível.

Já al Galal afirmou que o anúncio não acontecerá até que o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, e o primeiro-ministro retornem da viagem que devem fazer aos EUA, para participar da assembleia geral da ONU.

Segundo afirmaram à Efe fontes ligadas ao CNT, Ali Tarhuni, antigo ministro do Petróleo, e Tareq Youssef, ministro da Educação, poderiam ter o cargo de vice-primeiro-ministro do novo Executivo.

Já os antigos responsáveis pelo Ministério da Justiça e do Interior, Mohammed al Alagi e Jalal al Degueli, poderiam ficar fora da nova equipe, embora as negociações sobre isso ainda estejam em andamento.

Críticas e pressões externas se somam à falta de consenso interno do CNT. A ONG Aliança do 17 de Fevereiro, por exemplo, mantêm várias reservas sobre a formação do novo executivo interino.

Para o membro do escritório político da aliança em Misrata, Mohamad Obeid, a formação do Executivo significa uma violação do anúncio constitucional realizado pelo CNT.

De acordo com o anúncio, o Governo deveria se formar 30 dias depois da vitória sobre as tropas do coronel Muammar Kadafi, o que ainda não aconteceu, já que os combates continuam algumas cidades.

Além disso, para a Aliança do 17 de Fevereiro, Yibril não tem poder para formar um Governo, apenas para criar um escritório executivo.

Por último, Obeid mostrou sua insatisfação com o fato de que representantes de todas as regiões do país possam participar do novo órgão público. "Nós queremos um Governo baseado nas capacidades de seus membros, não em sua procedência", ressaltou.

O escritório executivo do CNT se dissolveu dia 8 de agosto, após uma crise gerada pelo assassinato do chefe das forças armadas rebeldes Abdel Fatah Yunis, em Benghazi, sob estranhas circunstâncias.

Segundo a última versão oferecida pelo presidente do CNT, Mustafá Abdel Jalil, em entrevista coletiva realizada em Trípoli na sexta-feira, Yunis foi assassinado por um acerto de contas pessoal.

Esta versão contradiz outras anteriores que atribuíram a responsabilidade a uma brigada rebelde de tendência islamita radical.

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