Conselho de Segurança não chega a consenso sobre Líbia

Membros não entram em acordo sobre fixação de zona de exclusão aérea, medida contra forças e governo de Muamar Kadafi

iG São Paulo |

Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiram e não chegaram a um acordo nesta segunda-feira sobre os pedidos árabes de fixar uma zona de exclusão aérea na Líbia, com a Rússia insistindo que ainda existem "questões fundamentais" para serem resolvidas sobre o tema.

AFP
Embaixador libanês para as Nações Unidas concede entrevista após reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York
Enviados europeus e árabes afirmaram que é necessário uma urgente ação da ONU contra a ofensiva de Kadafi, que áreas antes nas mãos opositoras a cada dia. No entanto, devido às diferenças entre os países membros, o Conselho de Segurança vai precisar de alguns dias para chegar a um acordo sobre as medidas, disseram diplomatas.

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, considerou que ainda existem "assuntos fundamentais" a resolver antes de decidir sobre uma zona de exclusão aérea na Líbia. "Não é apenas o devemos fazer, mas sim como devemos fazê-lo. Se não tivermos uma resposta para estas perguntas, é muito difícil tomar uma decisão responsável", disse Churkin.

A cidade de Ajdabiya, situada na rota a Benghazi, prepara-se para sofrer um ataque das forças de Kadafi, que seguem avançando, enquanto o Ocidente tenta chegar a um acordo para encontrar uma solução. Benghazi, segunda maior cidade do país, pode se ver ameaçada muito em breve pelas tropas de Kadafi que nos últimos dias vêm retomando o controle de povoados que antes estavam nas mãos dos rebeldes, em particular Brega, a cerca de 80 km ao oeste de Ajdabiya.

Assim como o Conselho de Segurança da ONU, os países da União Europeia estão divididos sobre as medidas para colocar fim ao regime do líder líbio, entre os defensores de uma zona de exclusão aérea.

Missão europeia

Nesta segunda-feira, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, enviou uma missão a Benghazi para avaliar as possíveis medidas a serem tomadas para responder ao conflito no país, incluindo uma zona de exclusão aérea.

A missão, composta por membros do serviço diplomático da União Europeia e dirigida pelo diretor do centro europeu de gestão de crises, Agostino Miozzo, visitou no domingo e na segunda-feira a cidade e a fronteira entre Líbia e Egito, segundo uma porta-voz de Ashton, Maja Kocijancic.

Seu objetivo foi "reunir informações e avaliar a situação para colocar em prática as medidas que estão em curso para responder à crise líbia", ressaltou.

Também nesta segunda-feira, o presidente americano, Barack Obama, exigiu novamente a saída de Kadafi do poder, antes das conversas da secretária de Estado, Hillary Clinton, com líderes opositores líbios em Paris. "O senhor Kadafi perdeu sua legitimidade e deve ir embora", disse Obama, depois de se reunir com o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lowkke Rasmussen, na Casa Branca.

Hillary está em Paris para falar com colegas de sete países e planeja se encontrar com representantes da oposição líbia na terça-feira de manhã, disse um funcionário americano.

*Com AFP

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