Conselho de Segurança da ONU se reunirá para abordar situação na Líbia

Sessão foi um pedido de autoridade líbia na organização, que acusou Kadafi de genocídio e fez apelo por sua renúncia

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU realizará nesta terça-feira uma reunião especial para abordar a crise na Líbia, informou o organismo internacional. A reunião foi um pedido do embaixador adjunto da Líbia na ONU, Ibrahim Dabbashi, que na segunda-feira fez um apelo pela renúncia do presidente Muamar Kadafi.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua preocupação com a rápida deterioração da situação no país africano e pediu que Kadafi cesse imediatamente a violência e respeite os direitos humanos do povo líbio.

Na segunda-feira, a delegação de diplomatas da Líbia na ONU pediu uma intervenção internacional contra a onda de violência no país. Dabbashi fez um apelo por proteção aos cidadãos contra o que definiu como "genocídio" patrocinado por Kadafi.

"É um verdadeiro genocídio", afirmou Dabbashi. "As informações que estamos recebendo das pessoas em Trípoli são de que o regime está matando qualquer um que esteja na rua. Ele (Kadafi) tem seus mercenários por toda parte e toda vez que um manifestante aparece, eles atiram."

Dabbashi pediu que as Nações Unidas interditem o espaço aéreo sobre a capital líbia após relatos de que a aviões da Força Aérea estariam bombardeando áreas de protestos. Segundo a emissora árabe Al-Jazeera, os bombardeios deixaram centenas de mortos.

O filho de Kadafi, Saif el-Islam, negou que os ataques tenham sido contra a população e afirmou que os aviões bombardearam apenas depósitos de armas localizados londe fas zonas urbanas.

O porta-voz da ONU, Martin Nesirky, assinalou que, se "esses ataques contra civis forem confirmados, representarão uma séria violação da lei humanitária internacional".

Kadafi na TV

Em meio à tensão e à pressão de manifestantes e autoridades líbias que pedem sua renúncia, o presidente líbio, Muamar Kadafi, apareceu rapidamente na TV estatal na noite de segunda-feira para anunciar que ainda está no poder.

O líder quis deixar claro que não havia fugido do país e negou rumores. "Estou em Trípoli e não na Venezuela. Não acredite nesses covardes na mídia", falou, dentro de um carro ao lado de um prédio em ruínas, por volta das 2h de terça-feira (horário local).

Mais cedo nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, havia dito que Kadafi poderia estar a caminho de Caracas, capital da Venezuela.

Tensão

O governo da Líbia prometeu investigar episódios violentos registrados durante protestos da oposição, na tentativa de frear a onda de manifestações que atinge o país desde o dia 16 de fevereiro.

Na segunda-feira, diversas autoridades - inclusive o ministro da Justiça, Mustafá Abdel Yalil, a delegação líbia na ONU e diplomatas em diferentes países - renunciaram em protesto contra o uso excessivo de força na repressão das manifestações. Diplomatas que representavam o governo de Kadafi na China, na Índia e na Liga Árabe deixaram seus cargos em protesto ao governo.

De acordo com a organização americana Human Rights Watch, os protestos na Líbia deixaram pelo menos 233 mortos do dia 17 de fevereiro à noite de domingo. Há relatos de que apenas nesta segunda-feira 160 manifestantes teriam morrido.

Início dos protestos

Os protestos na Líbia foram desencadeados pela prisão de Fathi Terbil, advogado e notório crítico de Kadafi preso na semana passada em Benghazi. Terbil representa as famílias de vítimas do suposto massacre realizado por forças de segurança no presídio de Abu Slim, em Trípoli, em 1996.

Mais de mil prisioneiros foram mortos na ação de forças de segurança, em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas. O presídio abriga opositores do governo e militantes islâmicos.

Uma multidão que contava com parentes dos presos mortos na ação marchou até a sede do governo local para exigir que Terbil fosse solto. Mesmo após a libertação do ativista, os manifestantes seguiram para a praça Shajara, no que se tranformou em protesto contra o governo.

Manifestações pró-democracia vêm se espalhando por diversos países árabes. Eles tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Em fevereiro, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Nos últimos dias, também ocorreram protestos em países como Bahrein, Argélia, Iêmen, Marrocos e Jordânia.

Arte/iG
A capital, Trípoli, e a cidade portuária de Benghazi concentram protestos contra o governo

Com EFE, AP, AFP e BBC

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