Conselho de Segurança da ONU discute a crise na Síria

Órgão discute resolução sobre país; em dois dias de violência, ao menos 74 civis foram mortos, entre eles crianças e mulheres

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta sexta-feira a portas fechadas para discutir sobre uma resolução que apoie a um plano da Liga Árabe para responder à crise na Síria, disseram diplomatas à agência Associated Press.

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AP
Desertores do Exército sírio se posicionam em uma rua em Homs, no centro da Síria

O embaixador francês, Gerard Araud, afirmou que os membros do órgão esperam que o embaixador do Marrocos, cujo país entrou esse mês no conselho, apresente uma proposta.

Araud disse que um novo projeto de resolução árabe-europeia refletindo as reivindicações da Liga Árabe sobre a Síria seria apresentado, e a previsão é que o voto ocorra na próxima semana. "Nós esperamos muito tempo", disse.

A ONU afirma que mais de 5 mil pessoas foram mortas em dez meses de repressão do governo de Bashar al-Assad contra manifestantes civis. Os diplomatas europeus têm se encontrado ao longo da semana com representantes de países árabes, entre eles o de Marrocos e Catar, para discutir sobre uma resolução apoiada pela Liga Árabe para propor um fim à crise.

"Existe agora uma chance que o Conselho de Segurança finalmente tome uma posição clara sobre a Síria. Isso está muito atrasado", afirmou o chanceler alemão Guido Westerwelle na sexta-feira em Bruxelas.

Na terça-feira, o secretário-geral da Liga Árabe e o premiê do Catar vão se reunir com o Conselho de Segurança para discutir sobre a situação na Síria. "Esperamos que os membros do Conselho aproveitem essa oportunidade para encontrar um terreno comum", disse o embaixador alemão Peter Wittig.

A resolução expressa apoio a uma decisão tomada pela Liga Árabe para que a Síria "facilite uma transição política em direção à democracia e a um sistema político plural".

O projeto não faz nenhuma menção a sanções, mas fala sobre a adoção de "medidas mais duras, após consultas com a Liga dos Estados Árabes", se a Síria não cumprir com a proposta em 15 dias.

O documento também condena as "contínuas violações generalizadas dos direitos humanos e das liberdades fundamentais pelas autoridades sírias" e pede que o governo pare imediatamente de desrespeitar esses direitos.

Mas a aprovação da resolução está longe de estar garantida. A Rússia, aliado de Assad e membro com poder de veto do Conselho, indicou que não apoiaria nenhuma resolução. "Não podemos apoiar nenhuma resolução que inclua a chamada para a saída de Assad de seu posto", disse Gennady Gatílov, vice-ministro de Relações Exteriores russo à agência Interfax.

A China e a Rússia já vetaram um rascunho de uma resolução proposta pelos países europeus e apoiada pelos Estados Unidos para aplicar sanções ao país árabe no ano passado. De acordo com uma repórter da BBC, Moscou está preocupada que uma intervenção estrangeira desencadeie uma guerra sectária e civil na Síria, e outros no Conselho de Segurança temem o mesmo.

Violência

Em dois dias, ao menos 74 civis, incluindo crianças, foram mortos, enquanto as forças leais a Assad atiraram contra prédios residenciais e centenas de manifestantes, em um dramático aumento da violência no país, informaram ativistas.

Um vídeo publicado na internet mostrou os corpos de cinco crianças pequenas, cinco mulheres e um homem, todos ensanguentados e amontoados em camas no que um dia fora um apartamento de um prédio, atingido por agentes de segurança na cidade de Homs.

A maior parte da violência se concentrou em Homs, onde artilharia pesada foi usada nesse segundo dia de confrontos. Um dia antes, a cidade foi palco de um surto de sequestros e assassinatos sectários entre sunitas e alauítes.

A Unicef informou nesta sexta que ao menos 384 crianças foram mortas desde o início da revolta até dia 7 de janeiro. A contagem foi baseada em relatórios de grupos de direitos humanos tidos como críveis pela entidade.

A revolta na Síria, que começou em março do ano passado, na maior parte com protestos pacíficos, escalonou para um conflito violento, uma vez que desertores do Exército e outros manifestantes resolveram pegar em armas para derrubar o atual governo.

O regime de Assad garante que está derrotando gangues armadas e terroristas que conspiram contra o governo com apoio de países estrangeiros, e que 2 mil soldados foram mortos.

Com AP, EFE e Reuters

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