Conselho de Segurança aprova zona de exclusão aérea na Líbia

Resolução da ONU autoriza 'todas as medidas necessárias' para 'proteger civis'; Brasil, Rússia e China se abstêm de votação

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quinta-feira uma zona de exclusão aérea na Líbia e autorizou "todas as medidas necessárias" para "proteger civis e áreas povoadas por civis sob ameaça de ataque" pelas forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi. Os EUA, Reino Unido e França propuseram a resolução ao conselho, que autoriza ataques internacionais por ar, terra e mar contra as forças de Kadafi.

AP
Representantes na ONU do Reino Unido, Mark Lyall Grant (E), e dos EUA, Susan Rice (D), votam para aprovar zona de exclusão aérea na Líbia
Entre os 15 membros do órgão, houve dez votos favoráveis à resolução e cinco abstenções, incluindo Brasil, Rússia e China - que se opõem ao uso da força contra a soberania do país, argumentando que ela estabelece um precedente perigoso.

A votação ocorreu no mesmo dia em que Kadafi anunciou um grande ataque contra Benghazi , a segunda maior cidade líbia, localizada no leste do país. Nesta quinta-feira, aviões do governo líbio bombardearam o aeroporto da cidade, que é reduto rebelde e epicentro dos protestos contra o ditador.

O primeiro-ministro francês, Francois Fillon, disse que, se a resolução fosse aprovada, a França apoiaria uma ação militar contra Kadafi dentro de poucas horas. Os EUA disseram estar se preparando para uma ação. Espera-se que várias nações árabes ofereçam apoio logístico para as ações.

O texto da resolução pede que os países "estabeleçam uma proibição a todos os voos no espaço aéreo líbio de Jamahiriya para ajudar a proteger civis".

Antes da votação, os EUA defenderam uma ação mais contundente contra o regime de Kadafi, além das sanções que já foram adotadas. Em visita à Tunísia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia inevitavelmente envolveria ataques contra as forças do líder líbio.

Hillary disse que a Casa Branca deseja que o Conselho de Segurança autorizasse ataques a tanques e à artilharia pesada da Líbia. O chanceler britânico, William Hague, disse a parlamentares que a resolução "incluía demandas por um cessar-fogo imediato, um fim completo da violência, um veto a todos os voos sobre o espaço aéreo líbio, com a exceção de voos humanitários".

Reação do governo Kadafi

Logo após a decisão do Conselho de Segurança da ONU, Saif al Islam, filho de Kadafi, assegurou que não "têm medo" de uma intervenção militar. "Estamos em nosso país e com nossa gente. E não temos medo", disse Saif, considerado herdeiro político de seu pai.

o vice-ministro líbio das Relações Exteriores, Khalid Kaim, saudou os países que se omitiram na decisão sobre intervenção militar. “Estamos agradecidos aos cinco países que se abstiveram China, Rússia, Índia, Brasil e Alemanha, ‘que surpresa’.” 

O porta-voz do governo Kadafi criticou a aprovação da intervenção militar dizendo que não terá nenhum apoio dos civis. “Se algum país armar os rebeldes, estará levando líbios a matar uns aos outros”. 

“A intenção do governo líbio é proteger civis”, argumentou o ministro de Kadafi, que ainda declarou ter enviado carta ao secretário-geral da ONU Ban Ki-moon informando estar “preocupado com seu povo”.

Novas ameaças

Antes da votação, Kadafi ameaçou atacar navios e aviões civis no Mediterrâneo caso "qualquer ato militar" contra a Líbia fosse autorizado e prometeu acabar definitivamente com os rebeldes em Benghazi com a ofensiva durante a noite desta quinta-feira. Kadafi disse que não "haverá misericórdia com os traidores".

No pronunciamento, o líder disse que a "hora da decisão chegou". "O assunto foi decidido. Estamos indo (para Benghazi)." Segundo Kadafi, os opositores que depuserem as armas serão anistiados, mas "não haverá misericórdia nem compaixão" com os restantes. Ele afirmou que suas forças "resgatariam" o povo de Benghazi de "traidores" e "filhos de cães".

Ao mesmo tempo, porém, também afirmou que realizará um cessar-fogo na noite de sábado para domingo para "permitir a rendição" dos rebeldes.

AFP
Rebeldes se preparam para ataque de forças leais a Kadafi em Banghzi, na Líbia
As mesmas ameaças foram feitas por forças líbias pela TV estatal, afirmando que qualquer operação estrangeira contra o país exporá ao perigo navios e aviões no Mediterrâneo. "Todas as atividades civis e militares serão alvo de um contra-ataque líbio. O Mar Mediterrâneo estará em sério perigo não só no curto prazo mas também no longo prazo", disseram os militares.

*Com BBC, AP e EFE

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