Conselho de Direitos Humanos da ONU condena violência na Síria

Resolução é aprovada enquanto oposição cria comitê militar e Reino Unido anuncia fechamento de embaixada em Damasco

iG São Paulo |

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou nesta quinta-feira a violência contra civis na Síria, enquanto as forças leais ao presidente Bashar Al-Assad intensificaram o ataque a Baba Amr , um bairro da cidade de Homs, e a oposição anunciou a criação de um comitê militar para organizar a resistência.

Em outro sinal da forte pressão internacional sobre a Síria, o Reino Unido e a Suíça anunciaram a retirada de suas equipes diplomáticas do país por questões de segurança. Os Estados Unidos anunciaram o fechamento de sua embaixada em Damasco no mês passado.

Leia também: Exército sírio lança ataque terrestre em Homs

AP
Em meio à chuva, desertores do Exército sírio protestam contra o governo em Idbli, norte do país (29/02)

A resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condena “as generalizadas e sistemáticas violações” contra civis na Síria foi proposta pela Turquia e aprovada por 37 países. Rússia, China e Cuba votaram contra, três países se abstiveram e quatro não participaram da votação.

O texto exige que a Síria ponha fim imediatamente aos ataques contra civis e dê total acesso às organizações humanitárias. A resolução também apoia uma investigação contra possíveis crimes contra a humanidade e outros graves abusos no país, para que os responsáveis sejam punidos.

O representante da Síria no Conselho de Direitos HumanosFaysal Khabbaz Hamoui, não estava presente, e durante a votação. Na terça-feira, ele deixou uma reunião do órgão acusando-o de apoiar o terrorismo e prolongar a crise em seu país.

A resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem sede em Genebra, não tem peso legal, mas é considerada por diplomatas como um passo que pode encorajar a aprovação de uma resolução similar no Conselho de Segurança da organização – vetadas duas vezes pela Rússia e pela China .

“Vamos esperar que aqueles que votaram contra a resolução hoje vejam como estão isolados em relação à comunidade internacional”, disse o embaixador do Reino Unido em Genebra, Peter Gooderham. “Esperamos que essa votação tenha impacto em Pequim, Moscou e, é claro, em Damasco.”

Nesta quinta-feira, quase quatro semanas após as forças do governo sírio terem iniciado um ataque contra a cidade de Homs, ativistas disseram que desertores continuam resistindo à ofensiva no bairro de Baba Amr.

Na quarta-feira, o Exército lançou uma ofensiva terrestre na região, buscando opositores “quadra por quadra, casa por casa”, segundo ativistas.

Com a intensificação da violência, os governos do Reino Unido e da Suíça anunciaram o fechamento temporário de suas embaixadas em Damasco. “Acreditamos que a piora das condições de segurança coloca nossa equipe em risco”, justificou o chanceler britânico, William Hague. Segundo ele, o embaixador Simon Collis e todos os demais funcionários deixaram a Síria na quarta-feira.

Comitê militar

Também nesta quinta-feira, o presidente do Conselho Nacional Sírio (CNS), Burhan Ghalioun, anunciou em Paris a criação de um comitê militar de defesa para organizar a resistência diante da situação "dramática" que atravessa o país.

Ghalioun, que preside o maior grupo da oposição, afirmou que o comitê será formado por oficiais e civis e deverá "acompanhar as questões de competência militar, organizar as categorias, estudar as necessidades e gerir os recursos e operações".

O objetivo deste novo órgão, que previsivelmente terá sede em território turco, "o mais próximo possível da fronteira", será controlar a entrada de armas no país e definir as missões de defesa da resistência.

Ghalioun descartou a entrada de soldados estrangeiros no país e mostrou preocupação com a chegada de "extremistas" de diferentes grupos. "Alguns países demonstraram a intenção de fornecerem armas ao Exército Nacional Livre. Não queremos que isto seja feito sem organização", garantiu Ghalioun, acrescentando que a missão do grupo "não é uma ofensiva, mas, sim, defensiva".

O presidente do CNS não disse quais países se ofereceram para armar a oposição e negou que isso já tenha acontecido, salvo uma pequena quantidade procedente do Líbano. Segundo ele, o Exército Livre é abastecido pelo armamento dos próprios desertores.

Com AP, BBC, EFE e AFP

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