Conselho da ONU vive impasse enquanto violência aumenta na Síria

Rússia e China colocam obstáculos à aprovação de texto contra Assad no momento em que Exército intensifica ação contra desertores

iG São Paulo |

As forças de segurança da Síria intensificaram nesta quarta-feira uma operação contra desertores nos subúrbios da capital, Damasco, enquanto o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se vê diante de um impasse quanto a uma resolução contra o regime do presidente Bashar Al-Assad.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deu a entender que as discussões serão retomadas nesta quarta-feira. Na terça , o Conselho de Segurança não conseguiu chegar a um acordo quanto à resolução principalmente por causa da oposição da Rússia e da China, que em outubro vetaram a primeira tentativa do órgão de condenar a repressão síria.

Leia também: Hillary pede ação da ONU para pôr fim à violência na Síria

AP
Rebeldes sírios tomam posições atrás de um muro durante choques contra forças de segurança em Rastan, na província síria de Homs (31/01)

 Os EUA, o Reino Unido e a França defendem uma resolução que apoie o plano de paz da Liga Árabe que pede a renúncia de Assad. Mas os governos russos e chineses indicaram que vão usar seu poder de veto para impedir a aprovação do texto .

Nesta quarta-feira, o enviado da Rússia para a União Europeia, Vladimir Chizhov, disse ver “poucas chances” de a resolução ser aprovada. "(O esboço) está esquecendo a coisa mais importante: uma cláusula clara que descarte a possibilidade de que a resolução possa justificar uma intervenção militar na Síria ", afirmou Chizhov.

Em 2011, a Rússia acusou os EUA e outras nações que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de ultrapassar os limites da resolução do Conselho de Segurança, de 21 de março, que autorizava uma zona de exclusão aérea na Líbia , valendo-se disso para depor o líder Muamar Kadafi . O governo russo permitiu a aprovação da resolução ao se abster na votação.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que a Rússia condena o uso de forças do governo contra civis, mas também “as atividades de grupos extremistas armados contra o governo”. Ele acrescentou que não é política de seu país pedir que líderes renunciem.

Durante a discussão no Conselho de Segurança, o embaixador da China na ONU, Li Baodong, disse que o governo chinês “se opõe à ideia de pressionar uma mudança forçada de regime na Síria porque isso vai contra as normas básicas da organização e das relações internacionais”.

Na terça-feira, Hillary tentou convencer Rússia e China de que a ação da ONU em relação à Síria seria diferente dos esforços da Otan na Líbia. "Sei que alguns membros aqui podem estar preocupados que o Conselho de Segurança esteja se encaminhando para uma nova Líbia", disse Hillary.

"Essa é uma analogia falsa”, afirmou. "Chegou o momento da comunidade internacional deixar suas diferenças de lado e enviar uma mensagem clara de apoio ao povo da Síria", afirmou Hillary.

Líderes árabes se uniram aos esforços de persuasão dos países ocidentais. O secretário-geral da Liga, Nabil Elaraby, afirmou que a ONU deve tomar "uma ação rápida e decisiva", enquanto o premiê do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, advertiu a entidade formada por 15 nações que a "máquina mortífera da Síria ainda está trabalhando".

Elaraby acrescentou que os países árabes estão tentando evitar uma intervenção militar estrangeira no país tomado por uma crise que já dura 10 meses, um ponto enfatizado também pelo xeque Hamad. O premiê do Catar sugeriu ao Conselho de Segurança o uso de pressão econômica.

"Não estamos pedindo uma intervenção militar", afirmou o xeque Hamad. "Defendemos o exercício de uma pressão econômica concreta para que o regime sírio possa perceber que é uma ordem atender às demandas do seu povo."

Violência

Ativistas disseram que as forças do governo sírio intensificaram a repressão a dissidentes ao redor da capital. Nesta quarta-feira, tiros de metralhadora foram ouvidos no vale de Wadi Barada, um vale a alguns quilômetros de Damasco.

As montanhas levam a Zabadani, um reduto da oposição que estaria sob controle de dissidentes do Exército e manifestante há várias semanas.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede em Londres, afirmou qe pelo menos seis desertores foram mortos nesta quarta-feira no local. Outro grupo de ativistas, conhecido como Comitês de Coordenação Locais, disseram que os ataques deixaram 17 mortos.

Durante o fim de semana, desertores teriam controlado várias áreas ao redor de Damasco. Mas a brutal ofensiva militar conseguiu recuperar a maior parte dos focos de resistência, segundo testemunhas.

Os choques continuam também em outras áreas do país, como a província central de Homs, onde tropas invadiram bairros para perseguir desertores, e nas regiões de Idlib e Deraa.

A ONU estimou há várias semanas que a repressão à revolta popular contra Assa deixou mais de 5,4 mil mortos desde março. Ativistas disseram que operações militares causaram mais de 100 vítimas apenas na segunda-feira.

Com AP, Reuters e BBC

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