Confrontos se acirram na Líbia enquanto comunidade internacional tenta orquestrar reação

Tropas pró-Kadafi e rebeldes entram em choque nas cidades de Brega e Ajdabiya, enquanto líderes discutem crise no país

BBC Brasil |

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Os confrontos na Líbia se acirraram nesta terça-feira entre tropas governamentais e rebeldes que disputam o controle da cidade petrolífera de Brega, próxima à fronteira com a Tunísia. Em certo momento, ambos os lados se disseram em controle da cidade.

Reuters
Rebelde é visto em Ajdabiyah, que está sendo disputada por governistas e opositores

Aparentemente, os rebeldes estão se escondendo dentro de instalações petrolíferas, por acreditarem que as tropas estatais não vão atacar o local, relata o correspondente da BBC Jon Leyne. Fontes da oposição dizem que há rachas dentro das tropas aliadas ao líder Muamar Kadafi, porque supostamente há soldados relutantes em atirar contra civis.

A ONU mandou um enviado ao país, que pediu pelo fim da violência governamental contra as tropas rebeldes e acesso humanitário imediato às áreas onde houve confrontos.

Também no oeste do país, as forças pró-Kadafi avançaram à Zuwara e estão encurralando Misrata, duas cidades tomadas por opositores. No leste, há relatos de ataques aéreos em Ajdabiya, próxima à cidade-base dos rebeldes, Benghazi.

Comunidade internacional

Ao mesmo tempo, a comunidade internacional discute como reagir à crise líbia, mas não há consenso e dificilmente alguma ação concreta será decidida na reunião desta terça-feira em Paris dos chanceleres do G8 (grupo que reúne França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido, EUA, Canadá e Rússia).

A correspondente da BBC Kim Ghattas relata que há divergências entre os países quanto à efetividade das ações que podem ser tomadas. A França pede uma reação mais forte contra Kadafi e a imposição de um bloqueio aéreo, para tentar impedir que aviões sigam bombardeando seus opositores.

Mas os EUA são reticentes ao bloqueio e querem o compromisso de participação dos demais países e da Liga Árabe em eventuais ações.

Os árabes, por sua vez, defendem o bloqueio aéreo, mas já se disseram contra qualquer intervenção na Líbia. A Rússia e outros países da União Europeia também reagem com cautela à ideia de bloquear o espaço aéreo líbio.

O chanceler alemão, Guido Westerwelle, disse que o bloqueio é um tipo de intervenção militar e que implementá-lo pode gerar consequências opostas às desejadas, de "promover a paz e a democracia no norte da África".

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que está em Paris para o encontro, reuniu-se com um líder da oposição líbia, Mahmoud Jibril, e discutiu formas de amparo ao país além da ajuda humanitária.

No front econômico, a Agência Internacional de Energia relatou que a produção petrolífera da Líbia está praticamente interrompida. Enquanto isso, milhares de refugiados continuam tentando escapar da violência na Líbia pelas fronteiras com a Tunísia.

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