Confrontos entre soldados e desertores matam dezenas na Síria

Emboscada mortífera no sul deixou 34 mortos na segunda-feira, dia sangrento que teve total de quase 90 mortos em todo o país

iG São Paulo |

AFP
Manifestas pró-Assad fazem protesto em Damasco, um dia depois da Liga Árabe suspender a participação da Síria (13/11)
Disparos de supostos desertores do Exército no sul da Síria deixaram 34 soldados e forças de segurança mortos na segunda-feira, em uma emboscada mortífera que ocorre quando o presidente Bashar al-Assad parece cada vez mais incapaz de gerenciar a crise no país. A informação sobre os mortos foi dada nesta terça-feira Rami Abdul-Rahman, líder do Observatório Sírio para Direitos Humanos, com base no Reino Unido.

O confronto que durou mais de quatro horas na segunda-feira na Província de Daraa, sul do país, ocorreu em um dia particularmente sangrento na Síria, com cerca de 90 mortos no total em todo o país, segundo números compilados por fontes que incluem o observatório, os comitês de coordenação local e funcionários dos necrotérios.

O ataque dos desertores do Exército sugere uma nova confiança entre os militares que se aliaram aos manifestantes, indicando o potencial de o confronto armado escalar. A ONU estima que a repressão do regime contra o levante de oito meses deixou 3,5 mil mortos . Novembro está se tornando o mês mais sangrento da revolta, com 300 mortos até agora.

Embora os ativistas digam que os protestos são amplamente pacíficos, com manifestantes reivindicando a queda do regime, uma insurgência armada se desenvolveu em meses recentes contra forças militares e de segurança de Assad.

O presidente sírio enfrenta o desafio mais severo às quatro décadas de governo de sua família no país, com ex-aliados, assim como nações ocidentais, usando retórica cada vez mais dura para que pare a repressão sangrenta.

Nesta terça-feira, a Turquia disse que não tem mais confiança no regime da Síria, alertando Assad de que sua repressão sangrenta ameaça colocá-lo na lista de líderes que "se alimentam de sangue". Os comentários do premiê Tayyip Erdogan representam um revés para a Síria, porque os dois países anteriormente mantinham vínculos próximos. Mas os líderes turcos estão cada vez mais frustrados com Damasco por sua recusa de parar os ataques aos manifestantes.

Na segunda-feira, o rei Abdullah da Jordânia disse que Assad deveria renunciar pelo bem do país , tornando-se o primeiro líder árabe a fazer publicamente tal pedido. Isso estimulou manifestantes pró-governo a convergir para a embaixada da Jordânia em Damasco, com três deles escalando o muro e arrancando a bandeira da Jordânia - a mais recente em uma série de ataques contra missões diplomáticas do país. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Jordânia, Mohammad Kayed, disse que ninguém entrou no local e o incidente não deixou feridos.

Os ataques mais sangrentos de segunda-feira foram na Província de Daraa, ao longo da fronteira com a Jordânia, incluindo o que deixou 34 soldados mortos. De acordo com o observatório, 12 desertores e 23 civis também morreram na área. Na cidade de Homs, o necrotério recebeu 19 corpos, todos mortos a tiros.

Outros grupos ativistas têm números um pouco diferentes do que foram mortos, uma ocorrência comum porque o governo sírio impede ações independentes e a entrada da maioria dos jornalistas estrangeiros. Detalhes compilados por grupos ativistas e testemunhas são canais essenciais de informação.

Transição

A Liga Árabe pediu aos grupos de oposição da Síria para que apresentem sua visão para a transição de poder, antes de uma conferência maior sobre o futuro da Síria, disseram uma autoridade da Liga e um membro da oposição nesta terça-feira. 

A Liga concordou no sábado em iniciar negociações com dissidentes sírios depois que uma maioria dos seus 22 membros votou pela suspensão da Síria como membro da entidade de países árabes a partir de quarta-feira, em decorrência de sua resposta violenta aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad.

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Saiba mais: Síria condena decisão da Liga Árabe de suspender país

A organização sediada no Cairo agiu depois do fracasso de Damasco em implementar uma iniciativa árabe que impedisse o derramamento de sangue e iniciasse diálogos entre o governo e a oposição.

Nações árabes e do Ocidente têm aumentado o isolamento da Síria, apesar de a Rússia ainda apoiar Damasco. Uma autoridade disse que a Liga realizará uma grande conferência com a oposição síria para discutir seus planos depois da reunião de quarta-feira da Liga Árabe em Marrocos.

*Com AP e Reuters

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