Confrontos em protestos da oposição deixam mortos no Iêmen

Ao menos três morreram por disparos das forças iemenitas; presidente Ali Abdullah Saleh tachou adversários de 'sabotadores'

iG São Paulo |

Ao menos três manifestantes contrários ao governo foram mortos por soldados iemenitas nesta sexta-feira em Ibb, a sudeste da capital iemenita de Sanaa.

AFP
Milhares de iemenitas saem às ruas de Sanaa para pedir a saída do presidente Ali Abdullah Saleh
Segundo testemunhas, soldados da Guarda Republicana (unidades de elite fiéis ao presidente Ali Abdullah Saleh) abriram fogo contra manifestantes que protestavam após as orações de sexta-feira, ferindo cinco deles. Em Taiz, terceira maior cidade do país, três opositores foram feridos por disparos das forças iemenitas.

Nesta sexta-feira, enormes multidões em Sanaa e outras cidades iemenitas voltaram às ruas para exigir a renúncia de Saleh, após meses de turbulência que já levaram o mais pobre país árabe do mundo à beira de um colapso econômico.

Veículos blindados, tropas e até mesmo alunos de uma academia militar, armados com cassetetes, se espalharam por Sanaa para conter um mar de manifestantes que se estendia pela rua principal da cidade por sete quilômetros. "Somos persistentes, ó líder dos corruptos", gritavam manifestantes anti-Saleh. "Paz, paz, não à guerra civil."

Manifestantes em Sanaa, Ibb, Taiz e Hudaida promoveram procissões funerárias para alguns dos manifestantes mortos na quarta-feira. Em Sanaa, seis caixões foram levados a sepulturas sobre as quais foram jogadas rosas vermelhas. Alguns manifestantes erguiam cartazes dizendo: "Não vamos silenciar sobre os crimes desse regime. O sangue de mártires não é barato". Em Ibb, vários policiais militares participaram de uma procissão funerária de um homem morto a tiros na turbulência da quarta-feira.

'Sabotagem'

Discursando para seus partidários, Saleh tachou seus adversários de sabotadores e disse que eles deveriam usar as urnas. "Nós não fechamos ruas, não cortamos gasodutos em Maarib. Essas são as propriedades do povo", disse ele. "Parem de brincar com fogo."

De acordo com agência de notícias oficial Saba, o ministro do Comércio e Turismo do Iêmen, Hisham Sharaf, estimou que a turbulência, que começou no fim de janeiro, já custou ao país US$ 5 bilhões, cerca de 17% do PIB de 2009.

*Com AFP e Reuters

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