Confrontos em cidade do Iêmen mataram mais de 50, diz ONU

Taiz é palco de choques entre forças do governo e opositores desde domingo; na capital do país, rebeldes voltam a ocupar prédios

iG São Paulo |

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse nesta terça-feira que os confrontos na cidade iemenita de Taiz deixaram mais de 50 mortos desde o domingo. As mortes teriam sido causadas por disparos do Exército, das forças de segurança e de "elementos governistas".

De acordo com informações recebidas pelo escritório de Pillay, as forças de segurança vêm fazendo uso de violência para destruir o acampamento de protesto na Praça Horriya utilizando canhões de água, escavadeiras e munição real. Além dos 50 mortos, várias centenas de manifestantes ficaram feridos.

AP
Médicos iemenitas traram manifestante antigoverno ferido em confrontos em Taiz, Iêmen
Nesta terça-feira, pelo menos três manifestantes morreram na cidade, o principal centro industrial do país, no sul do Iêmen. Segundo a EFE, os policiais e os militares da Guarda Republicana dispararam contra centenas que participavam de protesto na rua Gamal Abdel Nasser e em outros lugares adjacentes.

Em comunicado, Pillay condenou o crescente uso da força contra os manifestantes antigovernamentais e afirmou que as forças de segurança ocuparam o hospital Al-Safa, em Taiz, e o hospital de campanha da Praça Horriya foi incendiado. "O governo é obrigado a permitir o acesso à ajuda humanitária aos que precisam. O pessoal médico e as instalações sanitárias nunca devem ser alvo das forças de segurança", disse.

Pillay também denunciou que o governo está produzindo detenções arbitrárias e ilegais "por exercer os direitos de reunião e de expressão". A alta comissária disse também que a situação em Sanaa, capital do Iêmen, continua difícil, e as forças de segurança seguem empregando a força para dispersar os manifestantes.

Pillay manifestou que também recebeu informações sobre a cidade litorânea de Zinjibar , no sul do país, onde dezenas de soldados iemenitas teriam morrido em enfrentamentos com grupos armados nos dois últimos dias.

Por fim, a alta comissária expressou sua preocupação pelas informações de "várias vítimas civis, entre eles crianças", assim como pelo deslocamento da população dessa cidade.

Confrontos na capital

Milicianos tribais iemenitas recuperaram na noite de segunda-feira o controle de um edifício governamental de onde haviam sido retirados no domingo após confrontos com as forças de segurança em Sanaa, informaram fontes opositoras.

Fawzi al Garadi, secretário do irmão do influente xeque opositor Sadeq Abdullah al-Ahmar, disse que os partidários de Ahmar retomaram o controle do edifício do Ministério de Administração Local e da sede principal do governante Partido do Congresso Popular Geral.

Segundo Garadi, as forças de segurança voltaram a bombardear a casa de Ahmar com diferentes tipos de armamento e, dessa forma, romperam a trégua firmada na quinta-feira entre o xeque e o governo. No entanto, testemunhas disseram à EFE que foram os homens armados fiéis a Ahmar que começaram a disparar contra as forças governamentais.

Segundo as testemunhas, fortes explosões sacudiram na noite de segunda-feira o bairro de Al-Hasba, onde se desenvolvem os enfrentamentos entre os milicianos fiéis a Ahmar e as forças de segurança.

O conflito armado se aprofundou em 23 de maio, depois que o presidente Ali Abdullah Saleh rejeitou pela terceira vez assinar uma iniciativa apresentada pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui a transferência do poder ao vice-presidente e a convocação de novas eleições.

*Com EFE e AFP

    Leia tudo sobre: iêmenmundo árabeprotestossaleh

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG