Confrontos e explosão de depósito de armas matam 37 na Líbia

Piores choques ocorrem em Zawiya e Benghazi; no total, houve choques em pelo menos seis cidades do país

iG São Paulo |

Numa escalada da crise líbia, forças leais a Muamar Kadafi ampliaram nesta sexta-feira os ataques a áreas sob controle de rebeldes, com uma poderosa ofensiva para tentar retomar o controle da cidade rebelde mais próxima da capital e com o uso de gás lacrimogêneo para reprimir novos protestos em Trípoli. Os confrontos e a explosão de um depósito de armas em Benghazi, cidade no leste do país, deixaram pelo menos 37 mortos.

Os choques em Zawiya, localizada no oeste da Líbia e a 50 quilômetros de Trípoli, deixaram pelo menos 18 mortos e 120 feridos - incluindo o principal comandante local, um coronel que havia desertado do Exército do país.

Também houve turbulência na capital, onde homens armados abriram fogo para dispersar protestos de dissidentes. Foram ouvidos disparos no bairro de Tajoura quando partidários de Kadafi dispersaram uma multidão de manifestantes que pedia o fim do governo e gritavam "Kadafi é inimigo de Deus!".

Abdullah al-Mahdi, um porta-voz dos rebeldes, disse à Al Jazeera que combatentes da oposição atacarão a capital assim que uma zona de exclusão aérea for implementada pelas potências internacionais para tentar romper o domínio de Kadafi sobre o país do norte da África.

Países ocidentais têm pedido a Kadafi que renuncie e estão estudando várias opções, entre as quais a imposição de uma zona de exclusão aérea, mas estão cautelosos em relação a qualquer envolvimento militar ofensivo para estabilizar o país, o 12º maior produtor mundial de petróleo.

No noroeste, funcionários de hospital disseram que ao menos 17 foram mortos na explosão do depósito de armas de Rajma em uma base militar perto de Benghazi, a segunda maior cidade do país. Segundo os opositores, a explosão aconteceu após ataque das forças de Kadafi.

No leste, os rebeldes avançaram em um porto petrolífero ao longo da costa do Mediterrâneo, em sua primeira ofensiva contra o Exército de Kadafi. Após o ataque a Ras Lanuf, a 200 quilômetros da cidade de Sirte, os rebeldes disseram que tomaram o aeroporto da cidade. Perto de uma refinaria local, houve choques violentos que deixaram pelo menos dois mortos e 16 feridos.

Nos choques em Zawiya, as forças pró-governo dispararam com fuzis automáticos e lança-foguetes contra manifestantes pacíficos, de acordo com testemunhas.

Um jornalista britânica afirmou que a cidade se encontra cercada pelas forças leais a Kadafi. "A cidade está sitiada, foi cercada pelo Exército", disse a correspondente da Sky News, Alex Crawford. Mais cedo, a televisão líbia afirmou que as forças de Kadafi retomaram o controle da cidade.

Forças leais a Kadafi lançaram a ofensiva com armamento antiaéreo e veículos blindados. Segundo relato do jornalista líbio Abdel Jabar à rede Al-Jazeera, as tropas de Kadafi dispararam até em ambulâncias para impedir a retirada dos feridos e ameaçaram a população com represálias caso não permaneça em suas casas.

Uma instalação petrolífera em Zueitina, ao sul de Benghazi, foi danificada e está em chamas, segundo a Al-Jazeera, exibindo vídeo que mostra fumaça negra elevando-se de uma usina de petróleo.

Pelo terceiro dia consecutivo, aviões bombardearam a região petrolífera de Brega, ao leste de Trípoli e sob controle das forças revolucionárias, mas sem causar vítimas, informaram fontes da cidade à EFE. Um médico voluntário assegurou que foram registrados vários bombardeios durante a noite, sendo o último ataque lançado nessa localidade, a cerca de 200 quilômetros de Benghazi, às 8h locais (3h de Brasília).

Na quarta-feira, um ataque das forças fieis a Kadafi, que tentaram obter o controle do aeroporto de Brega, deixou pelo menos 12 mortos e 28 feridos. Também houve registros de explosões em Ajdabiya.

Negociações

Os rebeldes disseram que estão abertos a discussões apenas sobre o exílio ou renúncia de Kadafi, depois dos vários ataques contra civis que provocaram condenação internacional , uma série de sanções econômicas e de armas e uma investigação do líder líbio por crimes de guerra .

Reuters
Rebelde tenta se proteger de forças leais a Kadafi, perto de Ras Lanuf, na Líbia (04/03)
Em uma novidade que deve causar preocupação com a diminuição dos estoques de alimentos e remédios em áreas sob controle dos rebeldes, relatos vindos de vários pontos do extenso país sugerem que um agravamento do conflito temido pelo Ocidente pode desencadear um êxodo maciço de refugiados para a Europa.

O levante popular contra Kadafi, o mais sangrento já visto contra um governante que está no poder há quase 42 anos no mundo árabe , reduziu pela metade a produção de petróleo do país, que é membro da Opep e normalmente produz 1,6 milhão de barris por dia. O petróleo é a base da economia da Líbia.

*Com EFE, AFP, AP e Reuters

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