Confrontos de rua deixam dezenas de mortos na capital do Iêmen

Choques entre forças do governo e combatentes de tribos matam ao menos 41; batalhas urbanas são nova ameaça a regime de Saleh

iG São Paulo |

Forças do governo e combatentes de tribos trocaram disparos e fogo de artilharia na capital do Iêmen, Sanaa, no início desta quarta-feira, em novos confrontos que deixaram pelo menos 41 mortos. Os choques se espalharam para novas áreas, com os membros da poderosa confederação tribal Hasid capturando o controle de prédios em bairros no sul e nordeste da cidade.

EFE
Chamas são vistas durante choques entre forças de segurança e combatentes tribais na capital do Iêmen, Sanaa (31/05/2011)
Os confrontos em Sanaa foram retomados na terça-feira, após quatro dias de relativa tranquilidade entre as forças leais ao presidente Ali Abdullah Saleh e os militantes do xeque Sadeq al-Ahmar, o mais poderoso chefe tribal do Iêmen.

Segundo o Ministério da Defesa, os combatentes tribais tomaram o controle da sede do Congresso Geral Popular (partido do presidente Saleh) e da companhia de água potável do país.

Fontes ligadas ao xeque Ahmar acusaram as autoridades de haver iniciado os disparos contra a residência do chefe tribal. Testemunhas disseram que uma coluna de fumaça negra foi vista saindo da casa do xeque, que na sexta-feira havia anunciado uma trégua após quatro dias de combates.

As batalhas urbanas da última semana representam uma nova ameaça ao regime de 33 anos de Saleh. Por quase quatro meses, milhares de iemenitas lotaram as ruas diariamente, reivindicando reformas políticas e a renúncia de Saleh.

As manifestações em sua maioria pacíficas abriram caminho na semana passada para violência entre as forças de segurança de Saleh e combatentes leais a Ahmar. O conflito armado se aprofundou em 23 de maio, depois que Saleh rejeitou pela terceira vez assinar uma iniciativa apresentada pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui a transferência do poder ao vice-presidente e a convocação de novas eleições.

Violência em Taiz

Na terça-feira, pelo menos quatro manifestantes morreram em Taiz, o principal centro industrial do país, no sul do Iêmen. Segundo a EFE, os policiais e os militares da Guarda Republicana dispararam contra centenas que participavam de protesto na rua Gamal Abdel Nasser e em outros lugares adjacentes.

As mortes ocorreram no mesmo dia em que a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que os confrontos na cidade deixaram mais de 50 mortos desde o domingo. As mortes teriam sido causadas por disparos do Exército, das forças de segurança e de "elementos governistas".

AFP
Manifestantes antigoverno protestam para pedir renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh em Sanaa, Iêmen
De acordo com informações recebidas pelo escritório de Pillay, as forças de segurança vêm fazendo uso de violência para destruir o acampamento de protesto na Praça Horriya utilizando canhões de água, escavadeiras e munição real. Além dos 50 mortos, várias centenas de manifestantes ficaram feridos.

No sul do país, 5 soldados iemenitas morreram em dois ataques efetuados por supostos membros da rede terrorista Al-Qaeda.

*Com AP e AFP

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