Confrontos crescem no Iêmen enquanto surge alerta de guerra civil

Centenas de moradores de Sanaa tentam fugir da capital; ao menos 28 morreram em choques nesta quinta-feira

iG São Paulo |

A capital do Iêmen, Sanaa, foi palco nesta quinta-feira de confrontos violentos, enquanto moradores tentavam fugir ou conseguir proteção. Em meio à ameaça de 'guerra civil' contra o presidente Ali Abdullah Saleh, feita pela aliança entre membros tribais e opositores, ao menos 28 morreram, dentro de um total de 110 baixas em quatro dias.

AP
Membros de clã tribal leais a Sadek al-Ahmar vigiam casa em que líder tribal está em Sanaa, no Iêmen
O ultimato reflete a crescente confiança das forças opositoras, que se juntaram à maior tribo do país, do clã Hashed. Os conflitos desta quinta, que colocaram as forças de Saleh contra membros do clã Hashed, liderado pelo chefe tribal Sadek al-Ahmar, foram os mais violentos no Iêmen desde o início da revolta contra o governo em janeiro.

Diante da situação fora de controle, os Estados Unidos ordenaram a retirada do Iêmen de todo seu pessoal diplomático não essencial e de parentes da equipe da embaixada.

Na capital Sanaa, centenas de moradores tentavam fugir, amarrando seus pertences apressadamente ao teto de seus carros na esperança de escapar da violência. Os conflitos mais recentes se concentraram em uma área no norte de Sanaa, onde combatentes leais a Ahmar vêm tentando tomar edifícios do governo.

Na capital, havia longas filas nas padarias, nos bancos e nos postos de combustível à medida que os moradores tentavam estocar dinheiro e alimentos antes de fugir para áreas mais seguras do empobrecido país.

Combatentes à paisana espalharam-se por alguns bairros e rajadas de metralhadoras foram ouvidos com certa frequência. Explosões esporádicas também eram ouvidas na capital perto do local onde milhares de pessoas ainda estão acampadas em protesto para exigir que Saleh deixe o poder após quase 33 anos.

O procurador-geral do Iêmen ordenou a prisão de líderes "rebelados" do grupo tribal liderado pela família Al-Ahmar, e funcionários do governo disseram que o quartel-general de uma estação de TV da oposição foi "destruída".

À Reuters, Ahmar disse que não há chance de mediação com Saleh e clamou poderes regionais e globais a forçar sua saída antes que os países da Península Arábica mergulhem em uma guerra civil. "Ali Abdullah Saleh é mentiroso, mentiroso, mentiroso", afirmou Ahmar. "Estamos firmes. Ele irá deixar este país descalço."

*Com AP e Reuters

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