Confrontos matam pelo menos 18 na Síria, dizem ativistas

Mortes ocorreram durante em meio a greve geral convocada pela oposição no país. Comerciantes que não trabalharam tiveram suas lojas queimadas

BBC Brasil |

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Pelo menos 18 pessoas morreram em confrontos na Síria neste domingo, em meio a uma greve geral convocada pela oposição, segundo informam ativistas contrários ao governo do presidente Bashar Al-Assad. Onze das vítimas teriam morrido nas cidades de Homs e Hama, de acordo com os Comitês de Coordenação Local sírios (de oposição).

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Outras duas pessoas também teriam sido mortas em confrontos entre soldados e desertores do exército na Província de Idlib, no norte da Síria, segundo informou o Obsertatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha. De acordo com a agência estatal de notícias síria Sana, as autoridades em Idlib enfrentaram integrantes de "um grupo terrorista armado".

A ONU estima que mais de 4 mil pessoas já teriam morrido desde o início dos protestos contra o governo, nove meses atrás. Entre os mortos, estariam 307 crianças. Os relatos de tensão na Síria não podem ser verificados de forma independente, já que o governo do país impõe fortes restrições à entrada de jornalistas estrangeiros.

Os Comitês de Coordenação Local afirmam que as mortes registradas neste domingo incluem duas crianças. Também há relatos de confrontos entre desertores e soldados no sul do país, próximo à fronteira com a Jordânia. Na capital jordaniana, Amã, protestos realizados em frente à embaixada síria terminaram em violência neste domingo.

A embaixada diz que manifestantes invadiram o prédio e agrediram funcionários, mas o irmão de um ativista disse à BBC que o grupo foi atacado ao entrar na representação diplomática portando bandeiras da oposição. 

Lojas queimadas

Tiros de metralhadora foram ouvidos e dois veículos blindados foram incendiados durante confrontos ocorridos antes do amanhecer deste domingo na cidade de Kfar Takharim, na Província de Idlib, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Há informações que moradores e ativistas, que diziam que desertores do exército, com o apoio de tanques, enfrentaram tropas leais ao exército na cidade de Busra Al-Harir, próxima à fronteira com a Jordânia. Segundo o Observatório, uma greve geral convocada por ativistas da oposição estava sendo "muito amplamente respeitada" neste domingo, primeiro dia da semana útil dos islâmicos, na Província de Daraa, no sul da Síria.

O grupo disse ainda que crianças em idade escolar e servidores públicos ficaram em casa em algumas áreas da capital, Damasco, embora as atividades estejam normais em distritos mais centrais. Já os Comitês de Coordenação Local afirmam que a greve está sendo respeitada por estudantes da Universidade de Aleppo e por moradores da cidade de Douma, perto de Damasco, onde teriam sido registradas mortes.

No entanto, os comerciantes que não abriram seus estabelecimentos em Idlib tiveram suas propriedades queimadas por tropas, que emitiram um aviso por meio de alto-falantes em uma mesquita próxima, segundo informam os comitês.

O presidente sírio está sob pressão internacional para terminar com a contínua repressão violenta aos manifestantes contrários ao seu governo. A Liga Árabe deve realizar duas reuniões de emergência nos próximos dias, para discutir a resposta de Damasco aos planos da entidade de enviar monitores ao país.
No mês passado, a Liga Árabe suspendeu a Síria, além de impor sanções econômicas, em protesto contra a repressão contra os civis.

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