Conflitos na Líbia levaram cerca de 30 mil a fugir do país

Otan estuda enviar representante civil para reduto rebelde de Benghazi; forças leais a Kadafi voltaram a bombardear Misrata

iG São Paulo |

Cerca de 30 mil líbios fugiram da região das Montanhas do Oeste da Líbia e passaram para a fronteira do sul da Tunísia nas últimas três semanas, informou nesta terça-feira o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur). Só na sexta-feira passada, 15 mil pessoas haviam passado por essa região.

"As cidades de Nalut e Wazin foram completamente abandonadas. Restam, apenas, alguns homens; as mulheres e as crianças já saíram de lá", destacou Andrej Mahecic, porta-voz da agência da ONU.

AFP
Refugiados líbios em acampamento de Dehiba, na fronteira da Tunísia
No leste da Líbia, um avião contratado pela Acnur levou para a cidade líbia de Benghazi material de ajuda humanitária. Trata-se do primeiro avião humanitário da ONU a aterrissar em Benghazi desde que começou o conflito.

O carregamento compreendia, em particular, hospitais de campanha, utensílios de cozinha e barracas, assim como veículos e equipamentos para a Acnur, com a perspectiva da abertura de um escritório em Benghazi, em relação com outras agências da ONU.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estuda enviar um representante civil a Benghazi, reduto rebelde no leste do país, com o objetivo de melhorar os contatos políticos com a oposição. A ideia é que o enviado estimule contatos políticos e apoie operações militares aéreos de aliados na Líbia.

Fontes oficiais da Otan afirmaram paralelamente que a decisão pode ser anunciada na quarta-feira.

A Aliança Atlântica, que desde 31 de março lidera as operações aéreas contra as forças de Muamar Kadafi, sustenta que seu papel é completamente imparcial na batalha entre o regime e os rebeldes.

França, Itália e Grã-Bretanha, países membros da Otan, anunciaram na semana passada o envio de conselheiros militares para apoiar as autoridades opositoras baseadas em Benghazi.

Nesta terça-feira, forças líbias leais a Kadafi voltaram a bombardear Misrata, a terceira maior cidade do país. Ao menos três teriam morrido em ataques com mísseis contra o porto da cidade.

Putin

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, criticou duramente na terça-feira a ação da coalizão ocidental para garantir a zona de exclusão aérea sobre a Líbia e disse que a coalizão não tem um mandato para matar Kadafi.

Em uma longa crítica ao Ocidente, Putin disse que a coalizão extrapolou os limites da resolução do Conselho de Segurança da ONU e tomou o lado contra Kadafi, cujas ações não justificam, segundo ele, a interferência estrangeira.

Ele chamou Kadafi de monarca, mas disse que esse tipo de governo "no geral responde à mentalidade da população" da região. "Há poucos regimes desonestos como esse no mundo? Então vamos intervir em todos esses conflitos? Olhe a África, olhe a Somália. Vamos bombardear todos e atacar com mísseis?"

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, e o ministro da Defesa britânico, Liam Fox, disseram que os escritórios de Kadafi, bombardeados na segunda-feira, representam um "alvo legítimo". "Julgamos que os centros de controle e de comando são alvos legítimos e os destruímos então", afirmou Robert Gates em entrevista ao lado de Fox.

AFP
Cidade de Misrata, terceira maior do país, está sendo destruída pelos bombardeios
*Com AFP e BBC

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