Conflito na Líbia deixou até 15 mil mortos, estima ONU

Comissão de direitos humanos encontrou evidências de crimes de guerra cometidos por forças de Muamar Kadafi e rebeldes opositores

iG São Paulo |

Um número estimado de 10 mil a 15 mil pessoas já morreram nos dois lados do confronto na Líbia em quatro meses, segundo a Organização das Nações Unidas.

De acordo com Cherif Bassiouni, líder de uma missão do Conselho de Direitos Humanos da ONU que viajou a Trípoli e a áreas controladas pelas forças rebeldes no fim de abril, uma comissão encontrou evidências de crimes de guerra cometidos por forças do líder Muamar Kadafi, incluindo ataques contra civis, grupos de ajuda humanitária e equipes médicas.

O governo da Líbia negou as alegações e acusou os rebeldes de carnificina e canibalismo. A comissão da ONU também encontrou provas de crimes cometidos por forças da oposição.

AFP
Explosão perto de residência do líder líbio, Muamar Kadafi, em Trípoli, capital da Líbia
Na quarta-feira, o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, afirmou ter evidências de que Kadafi ordenou que mulheres fossem estupradas , como uma estratégia contra as forças rebeldes. Segundo ele, está em curso também uma investigação sobre possíveis evidências de que militares receberam medicamentos como Viagra para aumentar a libido durante o combate.

Segundo o promotor, as evidências sugerem que Kadafi decidiu punir as mulheres usando o estupro como uma arma, na tentativa de que isso causasse medo e enfraquecesse a dissidência.

Aliados

Nesta quinta-feira, países ocidentais e árabes envolvidos na campanha militar na Líbia prometeram dinheiro para um novo mecanismo de financimento para os rebeldes que combatem o regime de Kadafi, aumentando a pressão internacional sobre o líder líbio.

AP
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, encontra-se em Abu Dhabi com Mahmoud Jibril, presidente do burô executivo do conselho nacional de transição da Líbia
Em conjunto, três países anunciaram uma ajuda de quase US$ 1,2 bilhão (quase R$ 1,9 bilhão): a Itália prometeu US$ 586 milhões, enquanto a França US$ 420 milhões e o Kuwait US$ 180 milhões. Os rebeldes líbios disseram precisar de US$ 3 bilhões durante os próximos quatro meses. Fathi al-Baaji, um dos líderes da rebelião, mostrou-se decepcionado. "Esperávamos uma ajuda financeira mais importante", disse.

Os anúncios foram feitos durante a terceira reunião do chamado Grupo de Contato - que inclui EUA, França e Grã-Bretanha, além de Estados árabes aliados, como o Catar, Kuwait e Jordânia - em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde discutiram como devem evoluir os eventos na Líbia quando Kadafi não estiver mais no poder. O grupo está pressionando os rebeldes a apresentar um plano de governo no caso de Kadafi deixar o cargo ou ser destituído.

Presente no encontro, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que "várias e contínuas discussões sobre uma transição de poder" estão ocorendo entre pessoas próximas a Kadafi.

Antes do encontro, Hillary afirmou que os dias do regime líbio estão contados. "Os dias de Kadafi estão contados . Trabalhamos com nossos associados internacionais dentro da ONU para preparar o inevitável: a Líbia da era posterior a Kadafi", afirmou Hillary em uma declaração cujo

texto foi distribuído para a imprensa. Na reunião, Hillary anunciou um adicional de US$ 26 milhões em ajuda assistencial dos EUA para as vítimas do conflito.

A chefe da diplomacia americana também afirmou  que o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político da rebelião, é o "representante legítimo do povo líbio", e que esse órgão deverá receber os fundos da Líbia que foram congelados. "Estamos dispostos a dar os fundos (congelados) ao CNT mediante a criação do novo mecanismo financeiro", afirmou.

O encontro ocorre em meio à intensificação dos ataques aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na capital líbia, Trípoli. Os ataques aéreos foram retomados na quarta-feira à noite depois de um intervalo que se seguiu ao pior dia de bombardeios desde o início da campanha militar, em março. Novas explosões abalaram a capital na manhã desta quinta-feira.

Antes do encontro, o ministro do Petróleo e das Finanças da rebelião líbia, Ali Tarhuni, disse nesta quinta-feira em Abu Dhabi que a rebelião começará a produzir em breve 100 mil barris de combustível diários, sem especificar um cronograma. Ele pediu mais ajuda, imediatamente. "Em breve começaremos a produzir 100 mil barris diários", disse Tarhuni.

Na quarta-feira, autoridades da Otan descartaram que a Aliança Atlântica envie tropas terrestres na Líbia para manter a ordem depois que a atual guerra civil terminar, deixando para a ONU a tarefa de ajudar o país a realizar sua transição democrática assim que Kadafi não estiver mais no poder.

O secretário-geral da organização, Fogh Rasmussen, fez a declaração após reunião com os ministros de Defesa dos 28 Estados-membro da aliança. "Para Kadafi, não é mais uma questão se ele sairá, mas quando", disse. "Pode levar semanas, mas pode acontecer amanhã e, quando ele for, a comunidade internacional tem de estar preparada."

Rasmussem afirmou que a organização não vê um papel de liderança da Otan na Líbia assim que a crise terminar. "Vemos a ONU desempenhando um papel central no cenário pós-Kadafi e pós-conflito", disse. Os ministros da Defesa dos países-membros da Otan se reuniram na sede da organização em Bruxelas.

*Com AFP, EFE, Reuters e BBC

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