Comunidade internacional busca estratégias para encerrar crise na Síria

Liga Árabe e ONU estudam medidas diplomáticas enquanto forças de segurança atacam Homs pelo sexto dia consecutivo

iG São Paulo |

Forças de segurança da Síria lançaram morteiros e foguetes nesta quinta-feira em Homs, no sexto dia consecutivo de uma ofensiva militar que deixou centenas de mortos. Enquanto a violência continua, a comunidade internacional procura novas estratégias diplomáticas para acabar com a crise no país, após Rússia e China terem vetado uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o regime do presidente Bashar Al-Assad.

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Imagem divulgada pela oposição síria mostra casa atacada por forças de segurança em Baba Amr, na cidade de Homs (08/02)

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Uma autoridade de alto escalão da Liga Árabe afirmou nesta quinta-feira que a organização estuda a possibilidade de reconhecer o Conselho Nacional Sírio, órgão que reúne integrantes da oposição, como representante legítimo da Síria. Além disso, a Liga pode permitir que o Conselho abra escritórios diplomáticos nas capitais dos 22 países árabes que integram o grupo. A reunião entre os chanceleres deve acontecer no domingo no Cairo.

Nesta quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o chefe da Liga Árabe planeja enviar observadores de volta à Síria e levantou a possibilidade de uma missão conjunta entre as duas organizações. Ban não deu detalhes sobre como essa missão funcionaria, mas o objetivo parece ser dar respaldo ao grupo regional, que retirou seus observadores da Síria por preocupações de segurança.

“Nos próximos dias vamos continuar as consultas antes de divulgar detalhes”, afirmou o chefe da ONU. “Estamos prontos para ajudar em qualquer coisa que contribua para a melhoria das condições em terra.”

Ban voltou a lamentar “profundamente” a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de “falar em uma só voz” para acabar com a crise, em referência ao veto de Rússia e China. O secretário-geral da ONU disse que a falta de unidade no Conselho de Segurança encorajou o governo sírio a aumentar os ataque contra civis.

“Milhares foram mortos brutalmente, acabando com o argumento de que Assad fala pelo povo sírio”, disse Ban. “Temo que essa brutalidade impressionante que estamos testemunhando em Homs, com armamento pesado sendo utilizado em bairros de civis, seja um prenúncio sombrio de algo pior que ainda está por vir.”

Homs, a terceira maior cidade da Síria, virou o principal local de resistência e repressão nos 11 meses de revolta popular contra Assad. Várias áreas passaram para o controle de desertores do Exército que tentam derrubar o regime.

No sábado, forças de segurança lançaram a mais recente ofensiva contra a cidade, invadindo áreas residenciais e tentando acabar com a resistência para tomar controle de toda a cidade, onde vivem cerca de um milhão de moradores.

De acordo com ativistas, os ataques desta quinta-feira se concentraram nos distritos de Baba Amra, Inshaat, Khalidiya, al-Bayyada e Jouret al-Shayyah, deixando dezenas de mortos.

O número de vítimas no conflito entre o governo e manifestantes varia de acordo com diferentes contagens. Grupos de direitos humanos dizem que 7 mil foram mortos por tropas do governo desde março. O governo afirma que 2 mil integrantes das suas forças de segurança foram assassinados por ativistas.

A ONU interrompeu a contagem de mortos que fazia, afirmando que é impossível averiguar dados com independência. O último dado divulgado pelas Nações Unidas, no mês passado, é de que 5,4 mil teriam morrido.

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Imagem divulgada por ativistas em 08/02 mostra homem chorando ao lado de corpo em hospital de Homs

Com AP e Reuters

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