Comissão liderada por brasileiro divulgará relatório sobre Síria

Diplomata Sérgio Pinheiro vai apresentar, nesta segunda, estudo mais completo sobre as violações dos direitos humanos no país

EFE |

Reuters
Manifestantes marcham, neste domingo, contra presidente sírio Bashar al-Assad
A comissão investigadora da ONU sobre a Síria, liderada pelo diplomata brasileiro Sérgio Pinheiro, apresentará nesta segunda-feira (28) as conclusões do mais completo documento sobre as violações dos direitos humanos registradas no país há nove meses.

A equipe foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em agosto, após uma sessão especial convocada em reação ao aumento da repressão aos civis, que desde março protestam contra o Governo de Bashar al Assad.

Apesar do regime ter negado autorização para entrar no país, os membros da comissão viajaram para os países fronteiriços e entrevistaram vítimas e testemunhas de violações dos direitos humanos. Desde que começou a crise, milhares de sírios abandonaram seu país e se refugiaram na Turquia.

A apresentação desse relatório coincide com um novo aumento da repressão na Síria, onde, no último sábado, morreram pelo menos 23 pessoas - entre elas três crianças - e no domingo mais dez.

Neste domingo, a Liga Árabe aprovou um pacote de sanções econômicas contra a Síria . As sanções, aprovadas por 19 dos 22 membros da Liga, incluem congelamento de bens e veto a viagens de autoridades sírias, cortes de investimentos e transações comerciais com o país e a suspensão de acordos com o banco central sírio.

De acordo com a ONU, há "inúmeras e consistentes informações de diversas violações", como de execuções e torturas de civis (incluindo de menores) na Síria, onde as manifestações pacíficas contra o regime derivaram para uma brutal repressão armada que dura oito meses.

Desde a criação e formação da comissão, a repressão das forças de segurança sírias contra as manifestações civis não só se intensificou como adotou novas táticas, enquanto os observadores e a imprensa internacional continuam proibidos de entrar no país.

A ONU, através de diversas fontes, já denunciou represálias a familiares de ativistas, além da detenção e torturas contra crianças.

O relatório que a comissão independente liderada por Pinheiro divulgará será o documento mais completo sobre a situação na Síria, onde há 20 dias a ONU confirmou a morte de mais de 3500 pessoas pela repressão. No entanto, esse número não reflete o aumento constante da violência nas duas últimas semanas.

A comissão se encarregou especificamente de investigar as violações dos direitos humanos ocorridas desde março, estabelecer os fatos e circunstâncias nas quais foram cometidas e identificar os responsáveis, para garantir sua condenação pela justiça.

Após a apresentação do relatório à imprensa, os membros da equipe continuarão trabalhando para apresentar uma versão atualizada do documento, em março de 20102, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Não está descartado que diante do rápido agravamento da situação, esse órgão decida se reunir antes em caráter de emergência, para adotar uma posição sobre o assunto.

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