Comissão da ONU libera US$ 1,5 bilhão para rebeldes da Líbia

EUA conseguiram apoio da África do Sul para desbloquear quantia equivalente a R$ 2,4 bilhões que está em bancos americanos

iG São Paulo |

Membros da comissão do Conselho de Segurança da ONU para a Líbia conseguiram chegar a um acordo para descongelar e liberar US$ 1,5 bilhão sírio em bancos americanos.

Os Estados Unidos e a África do Sul chegaram a um consenso nesta quinta-feira para que a quantia de cerca de R$ 2,4 bilhões seja destinada ao Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes líbios.

A decisão vinha encontrando obstáculos por parte da África do Sul , que estava bloqueando a decisão do comitê para Líbia do Conselho de Segurança, ao mostrar preocupações sobre se liberação dos fundos representaria o reconhecimento dos rebeldes como governo legítimo da Líbia.

De acordo com Mark Kornblau, porta-voz para a missão americana nas Nações Unidas, os EUA nunca condicionaram o apoio da África do Sul para liberar os fundos ao reconhecimento de quaisquer governos. Antes do acordo, diplomatas americanos e britânicos fizeram intensa pressão diplomática contra a África do Sul. Atualmente, o país africano é um dos membros 15 países do Conselho de Segurança, que precisava de uma votação unânime para descongelar os fundos.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, deu boas-vindas à decisão do comitê para Líbia do Conselho de Segurança. A ação de hoje demonstra solidariedade da comunidade internacional com o bravo povo da Líbia neste momento histórico”, disse em comunicado.

Mais cedo, Itália prometeu transferir na próxima semana ao CNT US$ 503,8 mil. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, a quantia diz respeito a fundos líbios congelados nos bancos italianos. A decisão do governo do premiê Silvio Berlusconi segue a da França, que também anunciou a intenção de descongelar fundos líbios.

A Itália, antiga potência colonial na Líbia e principal sócio comercial do país até o início do conflito em fevereiro, espera reativar as instalações de petróleo e gás no país.

Os rebeldes, que anunciaram nesta quinta-feira a transferência imediata de sua sede de Banghazi para a capital Trípoli, pedem o descongelamento de US$ 5 bilhões em dinheiro líbio que estão em contas no exterior.

US$ 5 bilhões

Além de ajuda humanitária, a quantia de US$ 5 bilhões solicitada pelos rebeldes visa o pagamento dos salários de funcionários públicos, além da retirada de minas terrestres e a reconstrução de escolas e hospitais.

Na reunião do grupo de contato para debater a questão, que teve a participação de representantes da França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Itália, Alemanha e Turquia, o representante do CNT Aref Ali Nayed explicou ainda que os rebeldes têm como prioridade também reativar a economia, retomar a produção e a exportação de petróleo, e restabelecer a infraestrutura petroleira.

O dinheiro do regime líbio no exterior havia sido congelado em 26 de fevereiro por decisão da ONU, diante da repressão à oposição na Líbia. Analistas estimam que existam cerca de US$ 110 bilhões em bancos ao redor do mundo.

Também nesta quinta-feia a Liga Árabe reconheceu o CNT como único representante legítimo do povo líbio. O órgão decidiu que o CNT ocupará no sábado o lugar da Líbia na reunião dos ministros de Relações Exteriores, que será realizada na capital egípcia, Cairo.

"Nós concordamos que é hora de a Líbia reaver seu assento e lugar legítimo na Liga Árabe. O CNT será o representante legítimo do Estado líbio", disse o secretário-geral da entidade, Nabil Elaraby.

*Com AP

    Leia tudo sobre: otanlíbiaconfrontosmuamar kadafifundosrebeldes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG