Com apoio dos EUA, plano para reformas na Síria deixa Assad no poder

Jornal britânico tem acesso a documento que prevê direito legal a manifestações, liberdade de imprensa e indicação de assembleia

iG São Paulo |

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Reprodução de vídeo mostra o presidente sírio, Bashar al-Assad, discursando em Damasco em 20/06
Os EUA estão promovendo um "mapa da estrada" para reformas políticas na Síria que transformaria o regime de Bashar al-Assad, mas o deixaria no poder por enquanto - apesar das reivindicações feitas por sua renúncia durante o levante de três meses do país, informa nesta quinta-feira o diário The Guardian.

Fontes da oposição sírias revelaram ao jornal britânico que o Departamento de Estado americano tem encorajado discretamente a discussão do esboço do documento não divulgado publicamente, mas que circulou em uma conferência sem precedentes da oposição em Damasco na segunda-feira . Segundo essas fontes, o embaixador dos EUA está conclamando o diálogo com o regime.

Assad supervisionaria o que o mapa da estrada chama de "uma transição segura e pacífica para a democracia civil". Ele pede controle maior sobre as forças de segurança, o desmantelamento das gangues "Shabiha" acusadas de atrocidades, o direito legal às manifestações pacíficas, amplas liberdades de imprensa e a indicação de uma assembleia de transição.

O documento cuidadosamente redigido de 3 mil palavra demanda um "pedido de desculpas claro e franco" e a prestação de contas de organizações e indivíduos que "fracassaram em acomodar protestos legítimos" e pede a indenizações para as famílias de vítimas da repressão. Segundo a oposição, 1,4 mil morreram desde o início dos protestos, em 15 de março. O governo diz que 500 membros das forças de segurança morreram.

O documento não ataca o presidente ou outras figuras do regime nominalmente. Ele pede que o governista partido Baath submeta uma nova lei sobre partidos políticos - apesar de que a legenda continuaria oferecendo 30 dos 100 membros para a assembleia nacional proposta. Os outros 70 seriam indicados pela presidente em consulta com nomeados da oposição - o que ainda deixaria Assad em uma posição de poder.

O mapa da estrada é assinado por Louay Hussein e Maan Abdelsalam, importantes intelectuais seculares em um grupo chamado Comitê de Ação Nacional. Ambos se encontraram com o vice-presidente sírio, Farouk al-Sharaa, antes do discurso mais recente de Assad , disseram diplomatas. Na segunda-feira, eles presidiram a conferência de Damasco, que teve permissão oficial e à qual compareceram 150 pessoas.

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Imagem feita por celular mostra manifestantes contrários ao governo segurando cartazes em Banias, na região costeira da Síria
Wael Sawah, outro membro do grupo, é um conselheiro na Embaixada dos EUA em Damasco, mas não assinou o documento, aparentemente para não desacreditá-lo aos olhos de sírios suspeitos de intervenção externa. O apoio silencioso dos EUA ao mapa da estrada é congruente com as demandas públicas de Washington para que Assad faça reformas ou renuncie.

Mortes na fronteira

A repressão na aldeia síria de Al-Rami, na região de Jabal al-Zawya, na fronteira com a Turquia, deixou pelo menos 19 mortos entre quarta e esta quinta-feira, segundo grupos opositores. Do Cairo, o diretor da Organização Nacional para os Direitos Humanos Ammar Qurabi disse que a repressão é exercida pelas forças de segurança, militares e por "pistoleiros" do regime.

Os chamados Comitês Locais de Coordenação na Síria informaram pela rede social Facebook que, além disso, há 50 feridos por "disparos de armas pesadas e metralhadoras" e outros 50 detidos. O mesmo grupo destacou que Al-Rami está cercada pelas forças de segurança e militares, que incendiaram algumas casas e bombardearam outras com artilharia.

Anteriormente, o movimento "A Revolução Síria contra Bashar al-Assad" tinha revelado que, na província setentrional de Idlib, onde se encontra Jabal al-Zawya, carros blindados do Exército tinham entrado na localidade de Al-Bara.

Essas informações não puderam ser verificadas de forma independente pelas restrições que o regime de Damasco impõem aos jornalistas.

*Com EFE

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