Coalizão ataca Trípoli, mas Kadafi barra avanço rebelde na Líbia

Oposição, que na 2ª-feira esperava conquistar reduto de líder líbio, é forçada a recuar e sofre ataques pesados em Misrata

iG São Paulo |

Uma série de fortes explosões abalou Trípoli nesta terça-feira, e a televisão estatal disse que vários alvos na capital líbia estavam sob ataques de "agressores cruzados". Repórteres da Reuters ouviram ao menos três explosões no centro de Trípoli, aproximadamente às 12h40 (horário de Brasília).

A televisão estatal líbia informou que diversos "alvos civis e militares" foram bombardeados por "agressores coloniais e cruzados". Forças da coalizão estão lançando ataques aéreos diariamente sobre a Líbia desde 19 de março para garantir a zona de exclusão aérea aprovada pela ONU e proteger civis contra as forças de Kadafi.

Ataques diurnos são incomuns em Trípoli. Ataques aéreos e de mísseis tendem a ser realizados após o anoitecer e às vezes são ouvidos durante a noite. Moradores de Trípoli disseram que as últimas explosões ocorreram no leste da capital, mas a localização exata dos ataques não estava clara.

A leste, forças líbias atacaram partes da cidade de Misrata nesta terça-feira, com tanques e soldados usando artilharia pesada, em uma tentativa de retomar o controle da cidade, disse uma testemunha à rede de TV CNN. Aviões da coalizão internacional sobrevoaram a área, mas não atacaram os tanques, relatou. A rádio mantida pelos rebeldes está pedindo para que mais moradores do oeste da Líbia se juntem à rebelião.

Enquanto representantes de vários países se reuniam em Londres para decidir os próximos passos no esforço líbio, o líder Muamar Kadafi não mostrou nenhum sinal de que desistirá de reprimir a rebelião que tenta pôr fim a seus quase 42 anos no poder. "A carnificina, a destruição e o sofrimento humano são inimagináveis", disse a testemunha à CNN sobre a situação em Misrata.

De acordo com o porta-voz das forças rebeldes do país Ahmad Khalifa em Benghazi (reduto da oposição no leste do país), os choques em Misrata, a cerca de 200 km a leste de Trípoli, deixaram pelo menos 124 mortos e 284 feridos no últimos nove dias. "Há uma grande crise em Misrata", disse Khalifa à EFE.

Citando um médico em Misrata, a agência France Presse informou, por sua vez, que seriam 142 mortos e 1,4 mil feridos desde 18 de março. "Não temos um cômputo exato dos feridos. Mas eles passam de 1,4 mil, sendo 90 em estado grave", disse a fonte.

A Anistia Internacional (AI) acusou nesta terça-feira as forças líbias fiéis a Kadafi de realizar uma campanha de desaparecimentos forçados para reprimir toda oposição ao regime. Em um relatório, a principal organização internacional de direitos humanos detalha mais de 30 casos de desaparecimentos desde que tiveram início os protestos contra o regime, em 15 de fevereiro, incluindo ativistas políticos e suspeitos de ser combatentes rebeldes ou seus partidários.

"Parece existir uma política sistemática de deter quaisquer suspeitos, mantê-los incomunicáveis e transferi-los para o oeste da Líbia", denunciou Malcolm Smart, diretor da AI para o Oriente Médio e o norte da África. "Dadas as circunstâncias de seus desaparecimentos forçados, há muitos motivos para crer que esses indivíduos se expõem a grave risco de torturas e maus-tratos", assinalou Smart.

Segundo a Anistia Internacional, os desaparecimentos na Líbia começaram antes que os protestos contra Kadafi se transformassem em rebelião armada contra o regime.

Recuo rebelde

Forças do governo da Líbia intensificaram os ataques e conseguiram expulsar os rebeldes de Bin Jawad, uma das cidades importantes do país que estava nas mãos dos oposicionistas. De acordo com a BBC, centenas de carros fugiram da cidade em direção ao leste. Antes da fuga, foram registrados combates pesados na cidade.

Na segunda-feira, ataques realizados por tropas leais ao regime impediram os rebeldes de alcançar Sirte , a cidade natal do coronel Kadafi e um alvo de forte simbolismo para os rebeldes.

Nos últimos dias, as forças rebeldes haviam feito rápido progresso em direção a oeste, a partir da cidade de Benghazi, bastião dos oposicionistas. Auxiliados por bombardeios internacionais, os rebeldes haviam conseguido tomar diversas cidades costeiras como Ras Lanuf, Brega, Uqayla e Bin Jawad. Mas analistas afirmam que a situação mudou de modo significativo nesta terça-feira, à medida que forças leais a Kadafi utilizaram armamento pesado e forçaram uma retirada em massa.

Nesta terça-feira, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) negou que seus ataques aéreos estejam funcionando como cobertura para um avanço dos rebeldes. Mais cedo, um porta-voz do Pentágono em Washington, o vice-almirante Bill Gortney, disse que o fato de os rebeldes líbios não serem bem organizados significa que qualquer avanço militar deles é frágil.

Segundo ele, os rebeldes estão claramente se beneficiando de ações dos EUA, que começaram a usar aviões fortemente armados contra forças do regime de Kadafi. Enquanto isso, navios da Sexta Frota dos EUA atacaram três navios líbios que vinham disparando contra navios mercantes no porto de Misrata, a oeste de Sirte.

Um dos navios foi destruído e um segundo ancorado, enquanto o terceiro foi abandonado, segundo autoridades da Marinha americana.

*Com Reuetrs, EFE, AFP e BBC

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