Circunstâncias da morte de Kadafi são incertas

Governo interino da Líbia confirma que líder deposto foi morto, mas informações sobre a operação são confusas e contraditórias

iG São Paulo |

Mesmo após o governo interino da Líbia confirmar que o coronel Muamar Kadafi foi morto nesta quinta-feira em Sirte, as circunstâncias da morte do líder deposto do país ainda são incertas. Diante de informações confusas e contraditórias, a Anistia Internacional pediu uma investigação “completa e independente” sobre o que aconteceu.

AFP
Combatente do CNT mostra um duto de concreto onde Kadafi teria sido capturado em Sirte, segundo uma das versões para a morte do líder deposto da Líbia

Inicialmente, autoridades do Conselho Nacional de Transição (CNT) disseram que Kadafi tinha sido cercado, junto com partidários fortemente armados, em um dos últimos prédios que controlava na cidade. Batalhas duras teriam acontecido até que um comboio de veículos tentou deixar o local.

O comboio foi atingido por ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que não confirmou se Kadafi estava em alguns dos veículos. Os bombardeios foram feitos por aviões da França e, segundo o governo francês, os carros pararam de se movimentar mas não ficaram completamente destruídos.

O primeiro-ministro do governo interino da Líbia, Mahmoud Jibril, disse que uma autópsia determinou que Kadafi morreu de um ferimento a bala na cabeça. Ele teria sido baleado durante um tiroteio entre as forças do CNT e seus partidários após sua captura.

"Kadafi foi retirado de um duto de esgoto. Ele não mostrou resistência. Quando começamos a movê-lo, ele foi atingido por uma bala em seu braço direito e quando foi colocado em um caminhão, não tinha mais nenhum ferimento", afirmou.

"Quando o carro começou a se mover, houve um tiroteio entre os combatentes e os partidários de Kadafi, durante o qual foi atingido na cabeça", acrescentou, dizendo que Kadafi morreu em direção hospital e que não é possível saber quem atirou nele.

Fathi Bashafa, porta-voz das forças anti-Kadafi, afirmou que o líder deposto foi encontrado pelos combatentes com um ferimento no pescoço. Levado a uma ambulância, ele teria sangrado até a morte.

Porém, um vídeo divulgado pela rede de TV árabe Al-Jazeera levantou dúvidas sobre essa versão. As imagens mostram um homem que seria Kadafi sendo empurrado e arrastado pelas forças do CNT, com ferimentos no rosto e sangrando.

Veja o vídeo da Al-Jazeera:

O combatente Adel Busamir disse que Kadafi foi morto pelas forças do governo interino. “Nós o achamos. Começaram a bater nele e alguém atirou com uma pistola 9 milímetros. Depois, o levaram embora”, afirmou. O corpo teria sido levado para a cidade de Misrata.

Outro integrante das forças do CNT, coronel Ahmed Bani, afirmou à Al-Jazeera que Kadafi foi morto porque “tentou resistir” à prisão.

Também não está claro em que local exatamente Kadafi foi encontrado. Um combatente líbio afirmou à BBC ter encontrado o líder em um buraco em Sirte, e não no duto de concreto citado pelo premiê.

Queda de Sirte

A notícia sobre a morte de Kadafi foi divulgada pouco depois de as forças do governo interino da Líbia terem anunciado a tomada de controle de Sirte, um dos últimos bastiões de seus partidários.

“Sirte foi liberada”, afirmou o coronel Yunus Al Abdali, chefe de operações na parte oriental da cidade. “Os combates continuam porque estamos caçando os partidários de Kadafi, que fugiram.”

Segundo a agência AP, jornalistas assistiram ao ataque final na cidade, que começou por volta das 8h (horário local) e durou cerca de 90 minutos. Pelo menos 20 partidários de Kadafi teriam morrido. Depois da batalha, as forças do CNT começaram a vasculhar casas e prédios em busca de partidários escondidos. Pelo menos 16 homens pró-Kadafi foram capturados, assim como várias armas e munições.

Tiros foram disparados para o alto em celebração à queda de Sirte, que acontece quase dois meses após as forças do CNT terem controlado Trípoli. O CNT tinha afirmado que quando obtivesse o controle de Sirte, seria possível dizer que todo o país estava “livre”.

Com AP, EFE, BBC e AFP

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