Cidade controlada por oposição da Síria é palco de protestos

Milhares foram às ruas em Zabadani pedindo o fim do regime, enquanto Liga Árabe se prepara para definir destino de missão observadora

iG São Paulo |

Estimulados pelo controle da oposição sobre uma cidade perto de Damasco, capital da Síria, milhares de manifestantes participaram de protestos contra o governo de Bashar al-Assad nesta sexta-feira, pedindo o fim do regime.

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AP
Manifestantes contrários ao regime de Assad protestam em Zabadani, Síria (17/1)

No Egito, duas autoridades da Liga Árabe afirmaram que a organização deve estender sua missão observadora no país, apesar das críticas da oposição da Síria, apesar das críticas da oposição do país que dizem que a presença dos observadores não permitiu o fim do derramamento de sangue.

Uma das maiores manifestações desta sexta-feira aconteceu na cidade montanhosa de Zabadani, onde 12 mil habitantes tomaram as ruas para comemorar seu sucesso em repelir as forças do governo.

As forças do presidente Bashar al-Assad atacaram Zabadani , a cerca de 27 km a oeste da capital, por seis dias. Na quarta-feira, os tanques recuaram, deixando a oposição com o controle da cidade.

"É uma reação natural à vitória em Zabadani, levantou a moral das pessoas", disse um ativista na cidade durante a manifestação. Ele falou em condição de anonimato por medo de represálias.

A oposição do país já tinha conseguido anteriormente tomar o controle de uma vila ou cidade, mas, no final, as forças leais a Assad assumiam o poder de volta. Não é comum o Exército demorar tanto tempo para recuperar uma cidade tão próxima da capital.

Os ministros da Liga Árabe devem se encontrar neste domingo, em Cairo, para discutir o futuro dos observadores, que tinham como intenção monitorar o cumprimento de um acordo que visava por um fim na violência na Síria. O mandato da missão árabe expirou na quinta-feira.

Duas autoridades do grupo disseram que as discussões pendem para um consenso em manter os 150 membros da missão no país, porque a comunidade internacional não está preparada para uma intervenção. Os oficiais da Liga Árabe concordaram em resolver a questão no domingo.

Ativistas dizem que os observadores árabes falharam em impedir o derramamento de sangue. Muitos da oposição síria pediram o envio de tropas estrangeiras para o país para criar zonas de segurança para os dissidentes, ou até uma missão militar semelhante à campanha aérea na Líbia que auxiliou que os rebeldes derrubassem o governo de Muamar Kadafi .

Saiba mais: Fracasso de missão da Liga Árabe aumenta tensão na Síria

A Síria afirmou que "rejeita absolutamente" qualquer plano de entrada de tropas árabes no país, como foi sugerido pelo Catar, enquanto a Rússia ameaçou na quarta-feira impedir qualquer resolução nesse sentido no Conselho de Segurança da ONU.

Ativistas disseram que ao menos oito foram mortos na Síria nesta sexta-feira, incluindo seis ativistas em duas vilas ao norte do país, em Idlib, e um subtenente cujo corpo foi encontrado na rua no sul de Daraa depois que ele foi sequestrado de sua casa mais cedo.

Os Comitês de Coordenação Locais, uma rede de ativistas, acusaram as forças pró-Assad pela morte do subtenente e disseram que ele ajudava a oposição. Milhares de opositores ao regime se manifestaram ao redor do país após as orações desta sexta-feira, e alguns deles pediam pelo fim da missão. "Liga Árabe, suas mãos estão sujas com o sangue dos sírios", dizia um cartas carregado no protesto.

Somente em Douma, subúrbio de Damasco, ativistas afirmam que a marcha anti-Assad uniram cerca de 20 mil pessoas. Eles também pediram a libertação de milhares de detidos, denunciando a anistia dada por Assad, classificando-a como falsa, com a intenção de apenas dar à mídia a ideia de que o acordo com a Liga Árabe estava sendo cumprido.

Forças de segurança impediram orações na mesquita Omari, na cidade de Deraa, berço da revolta de 10 meses contra Assad, pela quinta sexta-feira seguida, disseram ativistas.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos informou uma forte presença de seguranças em torno de mesquitas na cidade portuária de Latakia e disse que tiroteios ocorreram em várias outras cidades.

As autoridades sírias acusam "terroristas" apoiados por estrangeiros pela morte de 2 mil membros das forças de segurança desde o início do conflito em março, inspirados por revoltas árabes em outros lugares, enquanto a ONU registra a morte de mais de 5 mil manifestantes na repressão.

Sanções Econômicas

As sanções impostas às exportações de petróleo sírio custaram ao pais US$ 2 bilhões desde setembro, informou nesta sexta-feira o ministro do Petróleo da Síria, Sufian Alao, de acordo com a agência oficial Sana.

Alao disse que o país ainda tentava substituir os contratos de óleo bruto da União Europeia por novos clientes, mas enfrentava problemas em garantir o seguro de transporte marítimo e crédito comercial.

Estados da União Europeia, que compram a maior parte dos aproximadamente 130 mil barris de petróleo produzidos por dia pelo país, impuseram sanções ao óleo sírio em 2 de setembro, seguindo uma decisão similar dos EUA.

Alao disse que o país havia usado inicialmente a receita das vendas de petróleo bruto para "assegurar as necessidades públicas da Síria", mas esta necessidade doméstica de combustível agora estava sendo financiada por bancos e pelo tesouro do governo.

Ele descreveu as sanções do Ocidente como injustas, ilegais e "focadas em infligir o maior dano possível à população síria". O ministro também afirmou que ataques "terroristas" em dutos de petróleo e gás e outros alvos de infraestrutura de energia mataram 21 trabalhadores, interromperam o fornecimento e causaram grandes prejuízos.

Com AP e Reuters

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